Noite das Facas Longas

Capítulo XII: Brüttenmacht
21 de Fevereiro de 1933 – Lua Minguante

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A vitrola foi interrompida pelo jovem soldado da SA como se interrompe uma bomba relógio prestes a explodir. O hino nacional-socialista e outros chauvinismos musicais embalaram a bebedeira durante o final da tarde e as primeiras horas da noite; o silêncio que seguiu atribuiram-no à chegada dos forasteiros. Boa notícia ou má notícia: o forasteiro pode ser um vampiro suicida ou um curioso ousado, no que deveríamos destroçá-lo (boa notícia), o forasteiro pode não ser o que parece, no que deveríamos entendê-lo (má notícia). O álcool nas jovens cabeças seria um péssimo instrumento para entender, mas facilitava muito a tarefa de destroçar. A mera hipótese eriçava os pêlos nas nucas dos Ahrouns, eram 9 da noite e a lua faiscava aqueles dias de inverno no Volkspark. Entre as árvores, a forma nicterídea da Gangrel Nádia circulava em vigilância.

A visão de Liam confundia os presentes. Estava claramente marcado pelo clã, mas como diabos havia simplesmente aparecido ali na porta? Entre a maioria de jovens, um capitão, o único que entendeu logo o que aquele encontro significava. Afinal, conhecia de perto aquelas duas figuras. O pirralho, o vira em Grünewald, e sabia que tinha chamado a atenção de Otto. Aqueles que estiveram em Muggelheim diziam que pertencia ao povo-gato, e mantinham por ele um misto de curiosidade, temor e vontade de arrancar-lhe as tripas. O outro, o velhote, era um caso mais grave. Quando a tropa voltou de Muggelheim e viu em que estado estava o poderoso Rainer, o Caçador da Raça, após o combate, juraram caçar e matar o responsável por aquilo. Rainer tinha um rasgo do ombro às coxas que fora claramente feito por magia. A maioria dos Bruttenmacht, nascidos como lobos nas entranhas da Floresta Negra, conhecia os gandwere através de contos horríveis passados por gerações de Galliards. Os contos falavam de batalhas épicas entre magos de Odin e os filhos de Fenris, e o aparecimento de um gandwere na cidade era visto como sinal certo de que o Ragnarok estava próximo. Exatamente como Otto previu.

Nas árvores, Nádia percebe uma figura observando a cena. O espião percebe-se vigiado e desce para fugir. Na base da BM, o capitão deixa Liam entrar, como fora acordado pelo líder. O gandwere, pensou, deveria ser escoltado para longe, e em seguida destroçado pelos mais jovens como prova de subida de posto. Os lobos seguiam Béla Bártok de longe quando um conjunto marcado de uivos assinala a todos a presença de um intruso no parque. Os lobos correm a perseguir o espião visto por Nádia, enquanto Béla corre para o outro lado do parque.

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Liam entra na base da BM. As paredes de pedra reforçada ostentam símbolos nazistas, fotos de companheiros caídos em batalha e armas, muitas armas. Um dos cantos do aposento é um arsenal improvisado com bazucas e granadas. Uma metralhadora gigante, própria para um Crinos, é vista em repouso ameaçador. A BM certamente possui enorme poder de fogo. O clima de violência é estranhamente interrompido com um pedido de abraço de Otto Panzerfaust, líder dos Crias de Fenris, para o jovem Bastet que estava ali na sua frente. Otto pede a todos os que são postos 1 e 2 que saiam da sala, e que os postos 3 investiguem o invasor. Na sala restam apenas ele, Liam e um homem primitivo, de cabelos e barbas longas, o único da BM a não usar um uniforme da SA. Otto apresenta-o como Udin, o Theurge do grupo.

“O que você acha que devemos fazer em relação ao Homem, Liam?”

O jovem Ceilican pondera por um instante e responde: “Conviver com ele.”

“Exato, meu caro. Só há duas alternativas em relação ao Homem: destruí-lo ou administrá-lo. Nós tentamos destruí-lo, e isso foi um erro. Nós certamente jamais nos subteremos a ele, como Campeões de Gaia que somos. A Wyrm se apodera deles com extrema facilidade, e deixá-los no poder abrirá todo tipo de influência sinistra sobre o planeta. Diga-me, você nasceu como um animal ou como um homem, Liam?”

O escocês, naturalmente avesso a dar informações, replica: “Por que não me diz primeiro?”

“Ah sim. Eu nasci como homem.”

“Pois eu nasci nas matas.”

“Que é o nosso verdadeiro lugar! Que o homem permaneça em suas cidades e que suas cidades sejam as mais verdes possíveis, mas que as matas sejam para sempre nossas! É somente isso o que pedimos, Liam. O último século foi desastroso para os lobos da Alemanha, e os nacional-socialistas desde cedo ofereceram a possibilidade de defender nossos lobos. Neste exato momento há leis tramitando que punem a morte de um lobo como se fosse a morte de um homem, você sabia disso, Liam? O Reino do Lobo, o Wolfsreich, está se iniciando na Alemanha! Será uma revolução, a mais importante delas, e está apenas começando! Estamos reunindo forças para derrubar Hitler, Liam. Trata-se de um político habilidoso e um oportunista, mas o momento de retirá-lo de cena está chegando. Temos um parente dos Crias, Ernst Röhm, ele liderará o movimento dos homens enquanto nós atacamos no coração do monstro. Estamos tirando esses jovens da miséria e integrando eles na SA ao lado de parentes Crias, eles crescem respeitando o Lobo, as matas e o legado de Gaia! Na Floresta Negra temos hoje o maior caern da Europa, e nossa população por lá não pára de crescer. Imagine a Europa toda transformada em um grande caern!”

“Udin aqui previu sua chegada, Liam. Disse-me que um felino faria a ponte entre os filhos do Leão e seu lar na Alemanha, Grünewald. Assim, lhe entrego esta tarefa. Você deve levar isto para Frau Anna, no caern de Grünewald.”

Liam abre a caixinha. Dentro dela, um pêlo da juba do Leão, o totem de Grünewald. Otto leva Liam aos fundos, onde o felino pode demarcar de fato a existência de um Portal de Thule sob o parque. A Resistência finalmente é capaz de encontrar o Golem.

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Capítulo XI: A Presença

“Você sabe que não deve nada a Otto, Heinrich”. O silêncio quebrado pela frase rugia como um farfalhar de inverno – um piscar de olhos azuis e Heinrich Caça-Ratos, guardião do caern de Grünewald, desperta de sua letargia e olha para quem a proferiu: Anton, o último dos Nordeskald, cujo rosto marcado por cicatrizes surge das árvores para ser dourado pelo fogo da clareira.

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A meio quilômetro dali, uma jovem tropeça pelas raízes das árvores do caern. Seu rosto contorcido por uma gargalhada seca e inaudível parece assustar os arbustos à sua frente, sua marcha trôpega denota a pressa de quem cumpre sua última missão. De longe, Otto Panzerfaust, mestre por costume e direito do caern de Grünewald, observa espantado.

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“Tampouco devo a você, Nordeskald. É um absurdo que sua presença seja tolerada neste caern, mas a de Otto não. Se eu não tivesse que cumprir as determinações de Frau Anna…” Nordeskald interrompeu, tempestuoso. “Se você cumpre as determinações de Frau Anna, porque continua deixando Otto entrar no caern?” Um bando de pássaros voou barulhento na árvore ao lado, amedrontados pela Fúria crescente na clareira. Heinrich imediatamente transformou-se em Glabro. “Você sabe, Anton, como eu ganhei esse apelido, Caça-Ratos?”

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A jovem alcançou a clareira indicada por seu mestre. Havia entrado no parque como uma jovem na plenitude de sua vitalidade; agora que se aproximava do final de sua missão, parecia uma velha gasta pelo tempo e sofrimento. Os esquilos que se alimentavam do resto de comida deixada do jantar (gentilmente oferecido, como em todas as noites, pelos membros do caern) correram desesperados ao avistar aquela figura grotesca. Puxou as mãos do manto grosso que usava, olhou para as mãos ora mortificadas e entoou um canto baixo, enquanto se dirigia lentamente para o lugar onde dormia Béla Bártok.

Bártok acordou no quarto de sua antiga casa na Hungria. As fotos de casamento e das crianças, o cobertor usado para dormir: tudo estava ali. Como nos tempos de outrora, acordou e foi direto ao piano. A partitura no instrumento mostrava um concerto de cordas que o maestro jamais ouvira, embora ao lê-la as notas soassem como se tivessem sempre existido; no canto, o ano de 1935.

https://www.youtube.com/watch?v=srz8p10XawE

Desceu a escada. O sol da manhã invadia a sala, que servia de quarto para um enorme cão negro; Béla instintivamente sentiu ser Nádia. A Gangrel se dirigiu a um canto da sala e transformou-se novamente em humana, confusa por estar naquela situação. “O que você está fazendo no meu sonho?” Béla perguntou. Da cozinha, uma figura sóbria e encapada surge com uma bandeja de café na mão: é Julius Évola, o vampiro ancião que havia se interessado por Béla anteriormente.

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_“Eu sei muito bem, Heinrich. Você matou aquela matilha inteira de Roedores russos infestados pela Wyrm em 1915. E ainda assim você me julga por ter matado aqueles Crias infestados após a Grande Guerra.”

“Eu cumpri a determinação dos anciões da Floresta Negra; você, ao contrário, agiu à revelia e jamais levou a julgamento seus caçados.”

“E como diabos os velhos lobos da Floresta Negra iriam aceitar que seus próprios primos fossem caçados por um Nordeskald como eu? Isto não era possível, Heinrich.”

Heinrich, ainda em glabro, mesmo assim parecia mais calmo. Se não estivesse focado naquele raro diálogo com a lenda negra Anton Nordeskald, teria feito seu papel de Guardião e sentido a invasão do caern por uma bruxa infestada pela Wyrm…_

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Béla permanecia confuso, e Nádia mais ainda. Seria um sonho do maestro ou da Gangrel, ou algo ainda mais terrível? Julius ofereceu o café para ambos; sangue verteu do bule na xícara de Nádia. “Gosto de fazer estas visitas noturnas a pessoas que despertam meu interesse. Agora entendo que você não é um mero maestro mortal, Béla. Também não esperava vê-la por aqui, minha jovem” disse o vampiro, dirigindo-se a Nádia. O maestro estava incomodado: com a visita não anunciada, com a memória vívida de sua antiga casa, com a sugestão de que Julius Évola poderia conhecer seus segredos dentro de sua própria mente. “Para mim é bastante fácil realizar estas visitas, basta que a pessoa ouça a minha voz. Eu me entedio rapidamente porém, e este foi um dos motivos de eu ter passado os últimos séculos em repouso. Mas as pessoas de hoje, especialmente aqui na Alemanha, elas são tão fascinantes! E os avanços tecnológicos! Imagine, Béla, quantas mentes eu poderia visitar com o advento do rádio?”

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“Eu sei, todos sabemos, Anton. Seu antepassado desgraçou a tribo dos Crias quando invadiu a Irlanda, seu sobrenome para sempre atormentará sua própria honra. Mas você não é Siegfried mas Anton Nordeskald, orgulho dos variagues, e poderia ter feito as escolhas corretas para resgatar o seu nome perante os Crias.”

“E você é apenas um moleque insolente, Caça-Ratos! Você nunca esteve no Heimhalla a sentir o Grande Fenris entrar no corpo de todos os Crias! Você não sabe sequer a linguagem secreta da aurora boreal, vocês alemães e suas indústrias e suas cidades e seu maldito orgulho! Vocês se renderam ao espírito romano de território e conquista, e caberá aos Lobos do Norte, como sempre, ensinar-lhes de novo a caminhar sob as estrelas!” Nordeskald encarou Heinrich nos olhos. Os dois permaneceram ali, desafiando-se em silenciosa meditação, por horas.

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Uma multidão rapidamente tomou as ruas na frente da casa de Béla. Julius comentou tranquilo, entre um gole e outro de café: “Conheci um amigo seu agora a pouco, um senhor bastante agradável. Chamava-se Edgar Allan Poe. Ele me disse que seu destino lhe esperava do lado de fora. Não sei exatamente o que está acontecendo, mas parece importante.”

Béla e Nádia partiram para seguir a multidão. Um sol brilhante no céu carregava o signo do Olho de Massada, que atormentava o maestro com uma profunda sensação de angústia e catástrofe iminente. Nas ruas, a multidão de cidadãos de todo o tipo se dirigia caminhando a passos rápidos na mesma direção; os dois os seguiram.

Em uma praça grande no centro de Berlim, uma operação militar havia sido montada. Soldados com metralhadoras sobre os caminhões vigiavam as filas, que eram ordenadas por funcionários da SS e médicos de jaleco branco. Um deles era Edgar Allan Poe, o avatar iluminado de Béla Bártok. Ele estava extasiado: “Que maravilhoso encontrá-lo Béla! O nosso dia chegou, o Olho está aberto! A Ascensão está muito próxima! Lutamos tanto por isso, e agora finalmente todos os seres humanos poderão tornar-se magos novamente. O Olho está selecionando os que não tem mais possibilidade de iluminação nesta fila; naquela outra estão os senhores do amanhã, os futuros magos da humanidade! Você certamente está incluído Béla…” O maestro interrompe. A operação na praça tinha todos os indícios de uma farsa grotesca, e o rosto hipnotizado das pessoas selecionadas para morrer sugeria um feitiço terrível em execução. Instado a participar daquele espetáculo macabro, Béla Bártok se vira contra a multidão e parte do lugar, sendo observado por guardas hostis. Quando a hostilidade se transforma em uma perseguição com tiros, ele se vê obrigado a correr contra a massa, esbarrando e derrubando dezenas de pessoas. Nádia fica pra trás, sobrepujada pela multidão, e Béla volta para pegá-la. Mas a Gangrel se transforma em morcego para fugir do caos, e Béla se vê cercado por guardas armados. O ruído dos tiros é como uma avalanche de gritos, e o peito do maestro é explodido por balas de fuzil; Béla sente novamente, e com profunda realidade, a mordida de chumbo da morte. A experiência é excruciante, mas iluminadora: os fios de Entropia que o prendem nesta esfera são para o maestro uma maldição e um refúgio, sua percepção cada vez mais iluminada dos eventos em Berlim lhe traz delírio e fortuna. De longe, seu avatar se inflama como uma fogueira azul e regozija em ver o mago Vazio ser alvejado pelos guardas. É preciso morrer para iluminar-se.

Otto sabia que aquilo não ia bem. Sentia uma indelével presença da Wyrm naquela mulher, e embora não tivesse nenhuma simpatia por aquele mago maldito que fuzilou seu camarada no bosque de Muggelheim, era SEU caern a ser violado por uma criatura das trevas. No entanto, se atacasse, seria flagrado invadindo Grünewald e rompendo o pacto de não agressão que mantivera até agora; também estaria colocando em problemas seu amigo Heinrich, o guardião. Felizmente, o grito do maestro acordou Liam, e Otto pode mais uma vez observar o Bastet em ação.

Liam levanta em um salto e, ainda em sua forma felina, pula sobre o pescoço da bruxa, prendendo-a com suas fortes garras. A mulher reage com suas próprias unhas afiadas, mas não consegue atingir Liam. O Bastet prende a garganta da bruxa como um leopardo caçando, enquanto Béla acorda de seu delírio e tenta observar a mente da criatura. Ele visualiza um círculo metálico recheado de nomes e circundado por um grupo de mulheres que entoa um canto sinistro. Béla procura memorizar o canto e tenta se comunicar com a bruxa, mas assim que Liam solta sua garganta, ela começa a emitir um grito alto e agudo, inumano. Anton e Heinrich ouvem o silvo da Wyrm e interrompem seu desafio para verificar a fonte.

O sangue negro da bruxa polui o solo do caern. O testemunho das árvores e dos espíritos do bosque observa que, mais uma vez, o Bastet Liam McLeod enfrentou uma criatura da Wyrm em Grünewald. Enquanto os garou, seus guardiões por força e direito, brigam entre si em inúteis conflitos tribais, um estrangeiro teve que intervir novamente. Do ar frio berlinense se materializa o Totem, o mais nobre dos espíritos habitantes do caern, que há anos não aparecia por lá. Trata-se do Leão Cinzento, o espírito antiquíssimo dos extintos leões europeus, cuja presença rara na Terra acusa uma majestade ameaçada, um Rei solitário e entristecido. Sua voz de semideus entristece as folhas do caern, que caem das copas a cada frase dita pelo Totem:

“Você não é mais um filhote, Liam. Sua atuação aqui tem sido observada, Gaia está contente com seu papel. Esta criatura que trazia consigo a corrupção e o delírio representa as forças malignas que tem assediado Grünewald. Meus filhos estão em guerra e enquanto estiver assim, eu não voltarei ao caern. Mas acompanharei você se você permitir; sinto que sua presença responde a uma necessidade ainda maior e mais misteriosa de Gaia. Otto é um garou digno e é meu filho, mas não intervirei na política mesquinha dos garous. É irônico, você, um Bastet de uma tribo extinta, você é quem trará o equilíbrio de volta para os garous, Liam. No entanto, devo avisá-lo que esta enorme responsabilidade lhe trará muita glória e honra, mas também será seu fim. Quando Grünewald estiver novamente reunida você estará morto, Liam. É preciso que você encare este destino que Gaia lhe reservou.”

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Enobrecido e assustado com o encontro, Liam presta seu tributo à figura legendária. Nunca tinha visto um espírito tão magnífico e nobre; espantado com a presença e com o reconhecimento do Leão, decide adotá-lo como seu totem pessoal.

Anton e Heinrich chegam para encontrar a bruxa já morta. Sua última manobra é conhecida de agentes da Wyrm: vomitar besouros venenosos que se espalham pelo lugar e atormentam os atacantes. Heinrich está envergonhado com a violação do caern; Anton sugere que o corpo da bruxa deve ser enterrado do lado de fora e que Frau Anna não fique sabendo do ocorrido. A esta altura, Otto está longe, e ignora que foi visto por Liam durante o ataque. Nádia chega voando: durante o delírio, estava hipnotizada voando como morcego por Berlim.

Na manhã seguinte, o Professor Stultz chega ao local onde está o grupo. Béla, ainda atormentado pelo delírio da noite passada, comenta o ocorrido com o velho mago hermético. O maestro está raivoso: seu grupo tem sido carrasco e vítima dos nazistas de Berlim, manipulado pela Resistência de Stultz, achincalhado pela arrogância do mago hermético e sua postura militar. Tendo horror a disciplina bélica e a hierarquia, Béla deixa claro que não será um joguete nas mãos da Resistência. Stultz está surpreendentemente calmo: “E o que você sugere, maestro?”

A Resistência recapitula sua posição no conflito. O Olho de Massada, se não abriu, está prestes a ser aberto. O Golem é a peça chave do feitiço, e o último componente que ainda não está na mão dos nazistas. Stultz não hesita mais em buscar o Golem: sabe que, de posse da localização da Trilha de Thule, será capaz de encontrar não só o Golem, mas o Pólo Central, base secreta da Sociedade de Thule onde, em uma semana, ocorrerá o encontro da organização que deve selar a aliança entre a cabala nazista e o Príncipe vampírico da cidade.

O grupo decide voltar ao Consulado da Bulgária para checar documentos importantes que foram deixados lá durante a fuga. O local se encontra da mesma maneira como foi deixado, e o grupo retoma o Espelho de Belisarius e um número de livros mágikos. Na caixa de correio, uma carta chegou para Béla: trata-se da resposta de Maxwell Ldescu para a carta que havia sido enviada pelo maestro há alguns dias. Maxwell está em Berlim e gostaria de encontrá-lo.

A noite chega e o grupo vai para um velho hotel no centro da cidade onde está Ldescu. Apesar da idade centenária, aparenta ser um jovem e belo playboy austríaco, cabelo e roupas impecáveis. Ele está empolgado em encontrar o grupo, mas entristecido com a morte de seu grande amigo, o rabino Simeon Bergman. Maxwell dá detalhes sobre o Olho de Massada: para que seja realizado, o Golem deve ser destruído, e não terminado. Na realidade, é provável que Simeon o tenha terminado, mas nunca o tenha ativado. Diz também que a criatura é guardada por um Zelote, um mago hermético treinado em isolamento desde o nascimento para defender com sua vida o Golem. O Zelote é incapaz de negociar ou mesmo debater: criado para ser um guerreiro fanático, seu único objetivo é destruir quem descobre o Golem.

Na saída, Maxwell oferece uma ajuda inesperada aos jogadores: a Trilha de Vril, cuja junção com a Trilha de Thule indicará o local do Golem. Tratava-se de um segredo hermético que Maxwell oferece em troca de uma pequena condição: quer participar da caçada ao Golem e resolver este mistério em nome de seu falecido amigo Simeon. De volta à base da Resistência, Stultz está extremamente desconfiado com Maxwell. Diz que o antigo mago desapareceu dos registros da Ordem há quase um século, o que é bastante estranho. Béla diz que não se encontrou com Maxwell, mas o Espelho de Belisarius o acusa. Stultz sustenta sua desconfiança mas decide não intervir após ter em mãos a Trilha de Vril.

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O próximo passo da Resistência é encontrar a Trilha de Thule. Um dos seus pólos está na casa de Julius; o outro, em algum lugar do Volkspark, a base da milícia da SA conhecida como “Força-Bruta”. É para lá que os jogadores se dirigem.

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Capítulo X: Um lar em Grünewald?
Berlim, 18/02/1933

Ao voltarem da Mansão Évola, Liam, Béla e Nádia encontram o Consulado da Bulgária cercado por carros estranhos cheios de homens com chapéu. Observando cuidadosamente, eles conseguem ver antenas e aparatos dentro dos carros, bastante similar aos carros da Tecnocracia que eles viram em Muggelheim. Enquanto Béla o cobre com um rifle de longo alcance, Liam infiltra o Consulado e alerta seus habitantes: Stultz, a Brigada Búlgara e o prisioneiro Friedlander. Está na hora de abandonar a base, e todos pegam o que podem para fugir pela porta dos fundos.

O grupo chega a um hotel para discutir os próximos passos da Resistência. Stultz está satisfeito com a missão na Mansão Évola, mas sua prioridade ainda é o encontro da Sociedade de Thule no dia 27/02. O grupo trouxe uma pista importante para isso: os documentos e a fala de Évola que indicam que o encontro será em um tal Portal Central, presumivelmente uma base para a Sociedade em Berlim. Tal Portal se encontra sobre a Trilha de Thule, uma das diversas linhas míticas que atravessam o planeta como canais mágikos. Berlim é atravessada por duas destas linhas: a de Thule, que segundo Stultz passaria “perto da Universidade”, e a de Trilha de Vril, mais obscura e desconhecida. Simeon mencionou “Vril” antes de morrer, assim como Thule e Mitte, o bairro onde está o Golem. Stultz presume que o Golem, criatura que exige enorme esforço mágiko para se constituir, esteja no cruzamento entre a Trilha de Thule e a Trilha de Vril, no bairro de Mitte. Encontrar os marcos destas trilhas é essencial para a Resistência. Um dos marcos de Thule está assegurado: trata-se da própria casa de Julius Évola, às margens do rio Spree. Seus documentos mencionam outros lugares sobre a trilha: uma fábrica, o Portal Central, o Volkspark. Encontrando o lugar exato do Portal de Thule nestes lugares, será possível traçar uma linha entre a casa de Évola e este lugar, descobrindo a Trilha de Thule.

No entanto, existe outra urgência: encontrar uma nova base para a Resistência. O último lugar seguro de Berlim nestas circunstâncias permanece sendo o caern de Grünewald, no bosque a oeste de Berlim. Stultz, apesar de ser uma figura polêmica entre os garou, tem boa relação com Frau Ana, a matriarca do caern. Sofia também possui uma óbvia vantagem, por ser Garou. No entanto, a Resistência cresceu e o caern já se encontra lotado com refugiados de Berlim, a maioria Parentes garou. E os donos do caern jamais admitiriam um prisioneiro humano (Friedlander) abrigado no solo sagrado. O grupo se divide: Stultz, Sofia e os jogadores irão para o Parque, enquanto o resto da Brigada Búlgara (Dimitrov e seus 4 soldados) ficará com Friedlander no hotel.

Enquanto isso, o garou Jean-Luc, da tribo dos Andarilhos do Asfalto, segue para Grünewald para se apresentar oficialmente ao caern da cidade, como é de praxe para os recém-chegados. Vindo da França, Jean-Luc é recebido por Selim Olhos Velhos na entrada do Parque. Selim explica a ele a situação em Berlim e afirma que o caern agora está em Conclave.

Os jogadores chegam a Grünewald. No centro do caern há uma tensa reunião entre os garous. Um dos membros mais velhos, o poderoso Cria de Fenris Anton Nordeskald, acusa Grünewald de permanecer inerte enquanto grupos como a Sociedade de Thule despertam forças terríveis pela cidade. Outros garou, incluindo Heinrich Caça-Ratos, defendem a manutenção da neutralidade do caern. A Matriarca Anna lembra a todos que o propósito atual de Grünewald é exatamente ser um refúgio em meio à tempestade:

“Após a Primeira Guerra, os Crias de Fenris, senhores incontestes dos caerns alemães, se viram mergulhados em uma tensa guerra civil. Sua origem estava nos últimos meses antes do armistício, quando diversos Crias alemães foram caçados e mortos por uma matilha misteriosa de lobisomens vindos da Rússia. Após a paz em 1918, Anton Nordeskald, o maior dos descendentes dos garou variagues (vikings russos), apareceu perante um Conclave em Grünewald com as cabeças dos garou mortos: era ele quem liderava a matilha. Apresentou um extenso relatório dos crimes cometidos por aqueles Crias, denunciando sua traição perante Gaia. Embora hoje saibamos que o venerável Anton estava certo, os antigos anciões de Grünewald não o acreditaram e condenaram toda a matilha de Nordeskald à morte. Teve início, aqui mesmo neste centro sagrado do caern, uma batalha fratricida que durou dois dias e duas noites. Nordeskald lutou bravamente contra os anciões, muitos dos quais pertenciam às mesmas linhagens que os garou mortos pela matilha de Anton. Ao final do conflito, seis irmãos garou jaziam mortos: os quatro companheiros da matilha de Anton e dois anciões, incluindo o Patriarca do caern. Muitos outros estavam feridos, incluindo Nordeskald. Como sabemos, ao ver aquela matança, o totem do caern de Grünewald nos deixou, estando desaparecido até hoje.

A tradição dos Fenris ditava que o novo líder de Grünewald deveria ser o Ahroun Alpha do caern: o jovem guardião do caern Otto. Como auto-punição por sua Fúria, Nordeskald permaneceu durante anos na Umbra do caern, buscando o antigo totem e entrando em paz com os garou que matou. Otto reinou absoluto nos anos seguintes, atraindo os garou de toda a região com sua eloqüência e sagacidade. Na última década, se envolveu com um parente dos Crias chamado Ernst Röhm e integrou sua milícia de revolucionários. Seu mote é a unificação de todos os garou alemães sob sua liderança para colocar um Parente no poder, ganhando a influência necessária para se instaurar uma nova Era do Lobo, uma espécie de Impergium moderno.

Temendo uma nova matança, o Conclave dos Presas de Prata em 1929 condenou Otto a perder o título de líder de Grünewald por meter-se em assuntos humanos e enviou-me como matriarca para manter a neutralidade do caern se uma nova guerra civil começar. Nordeskald voltou da Umbra para me ajudar, e Otto concordou em mover sua grande matilha para o Volkspark. A paz instaurada é frágil mas precisamos…”

Anna é interrompida. Um grupo de 3 oficiais da SA surge na reunião, ostentando no uniforme a marca oficial da Brüttenmacht. Trata-se de Otto Panzerfaust e dois de seus companheiros; eles vieram em paz para checar a presença de inimigos dos garou dentro do caern. Se Grünewald estiver abrigando inimigos, o pacto de neutralidade seria quebrado e uma nova guerra começaria. Ele percebe Liam, ainda sob o efeito do uivo sinistro que o denuncia, e o novato Jean-Luc e exige uma conversa a sós com eles. Jean-Luc se recusa a ir, mas Liam segue escoltado por Anna.

Otto gostaria de conhecer aquele que era seu principal inimigo. Cumprimentam-se, e o garou expressa admiração pela maneira com que Liam luta. Ele ressalta que o nazismo é, para ele, uma enorme revolução contra a elite decadente alemã, e quer ver Hitler fora do poder em breve. Um dos Parentes dos Crias seria um homem mais honrado do que Hitler: trata-se de Ernst Röhm, líder das SA. Com ele, teria início uma nova era de liberdade para os garou, que não precisariam mais temer a humanidade infestada pela Wyrm. Otto convida Liam para o Volkspark e promete que ninguém irá machucá-lo. Ele parece interessado no Bastet, talvez para que integre sua Força Bruta?

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Capítulo IX: O Vampiro de Treptow
Berlim, 17/02/1936

17 de Fevereiro de 1933. Volta a nevar em Berlim. O grupo segue para Muggelheim para encontrar Tyrderon, que tem a pista mais forte sobre onde está o corpo de Simeon e a chave para encontrar o Golem. No bosque, ele conversa tranqüilamente em uma língua bizarra com uma estranha figura: um velho barqueiro vestido com trapos e um chapéu longo que lhe cobre a cara. Aparentemente um espírito antigo do bosque, ele está sobre um grande barco de pesca no rio Spree e oferece levar o grupo até a mansão de Julius Évola, vampiro ancião que está com o corpo de Simeon. Tyrderon, que sentiu a presença de Simeon na casa, fez contato com o vampiro, que se mostrou fascinado com a criatura. Segundo Tyrderon, Julius dormiu durante algumas centenas de anos sob a mansão e voltou a despertar recentemente, extasiado com as mudanças tecnológicas e culturais do mundo moderno. Ao comentar sobre seu amigo maestro, Évola se mostra bastante interessado em chamá-lo para uma de suas festas em sua mansão.

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Évola vive em uma velha mansão às margens do rio Spree. A casa de pedra é cercada por um extenso gramado e possui uma torre alta. Ao chegar, a Resistência percebe que as janelas estão iluminadas, há carros estacionados e pessoas parecem freqüentar a casa.

Do lado de fora, o Gangrel Mathias vigia a casa de Évola. Ex-militar, ele segue o conselho de seu antigo general Hammerstein e decide investigar a ligação sombria entre a Camarilla de Berlim e os nazistas. Sua missão é descobrir o clã de Évola. Após observar a aproximação do barco levando os outros jogadores, ele se apresenta na entrada da mansão e mostra um documento dizendo que está sob ordens do Justicar. Julius o recebe com completo desprezo e o faz esperar na ante-sala, guardada por 4 soldados da Brigada 6761 da SS.

Os outros jogadores se apresentam em seguida: o maestro Béla Bártok, que é recebido com enorme entusiasmo pelo anfitrião, sua parceira Nádia e um felpudo gato em seu colo (Liam em sua forma felina). Ainda na ante-sala, uma estranha pintura: Julius Évola, com roupa de época, de pé entre uma matilha de grandes lobos brancos.

Todos são levados ao salão central. A sensação causada do lado externo (a de que o lugar estaria repleto de pessoas) contradiz a realidade do lugar: há apenas dois outros convidados para a “festa” particular de Julius. O lugar é ricamente decorado e possui como destaque um grande piano de cauda, estranhamente reluzente entre as sombras bruxuleantes da sala pouco iluminada. Um forte cheiro de ópio é causado por uma jovem mulher chamada Martha, que bafora de um naguilé sobre um mar de almofadas em um dos cantos. O outro convidado chama-se Johann, e permanece impacientemente sentado sobre uma cadeira em outro canto.

Animado com a presença ilustre, Évola exalta o “amigo” Tyrderon e oferece bebidas aos jogadores. Ao chamar o mordomo, uma surpresa terrível: trata-se de Nichola, desaparecido desde o ataque à Universidade e desde então assombrado por uma força misteriosa. Vestido de mordomo, ele tem os olhos perdidos e obedece cegamente à Évola, não reconhecendo mais ninguém.

Liam parte para explorar a mansão. Atravessando os corredores como felino, ele passa pelos quartos de empregados e chega à cozinha, onde descobre um elevador secreto atrás da dispensa. Ele sobe, chegando na torre da mansão. Lá, encontra Mario Bartolini (o padre morto no ataque à Universidade), mutilado e em estado cadavérico, tubos de metal a lhe sairem do corpo, se debatendo de forma animalesca. Sobre a mesa, diversas anotações médicas. Liam decide acabar com seu sofrimento e o mata após um breve ritual, levando as anotações consigo.

No salão, Julius prepara um brinde e está ansioso para ouvir o grande Béla Bártok tocar seu piano. O instrumento ressoa uma energia sombria, como se fosse mágiko. Nádia furtivamente troca o copo do anfitrião com um contendo seu sangue. Todos brindam e Julius bebe de um gole só o copo. Béla se senta ao piano e começa a tocar sua Cantata Profana, composta em 1930. O salão é então tomado por uma energia nefasta, e as luzes se tornam ainda mais escuras, revelando longas sombras nas paredes. As sombras parecem tomar vida e revelam-se aparições fantasmagóricas de pessoas bem-vestidas, ouvindo atentamente ao piano tocar. O salão se mostra repleto de dezenas de pessoas. Béla entra em transe e vê seu Avatar na forma de um corvo sobre o piano. Ao longo de uma ponte de aço sobre o Infinito, ele vê o espírito de Simeon dependurado, tentando em vão voltar para o alto. Béla tenta salvá-lo, mas não consegue e ele cai no abismo.
Nádia aproveita a distração e, refugiada em um banheiro, se transforma em névoa com seu dom de Animalismo. Ela circula pela casa e encontra o fosso do elevador para onde Liam foi. O felino agora desce com o elevador para o subterrâneo da casa. Lá, encontra um gigantesco salão de pedra adornado com inscrições. Em uma das paredes há um enorme Olho de Massada pintado, e na outra, uma estátua em mármore branco de Otto I, o primeiro rei da Alemanha. Liam entra em uma de duas portas e chega a um corredor bem-iluminado, semelhante a um hospital. Ele se evade de um cientista que trabalhava no local e vê uma espécie de necrotério vazio, repleto de macas, instrumentos de autópsia e estranhos tubos que se ligam em aparelhos nunca vistos. Nádia o acompanha como névoa.
Julius Évola está inebriado com Béla e leva-o até seu estúdio do outro lado da casa para que conheça outro instrumento musical mágiko, um violino. Enquanto toca, o maestro é hipnotizado e mordido pelo vampiro, sentindo uma dor excruciante durante o processo; no entanto, imediatamente se esquece do que houve. Ainda meio letárgico, Béla é levado por Julius a conhecer o salão de Thule no sub-solo: o vampiro, encantado com sua presença, convida-o para a Sociedade de Thule. Évola diz que levará o assunto para o próximo encontro da Sociedade (o mesmo que Stultz quer atacar). Diz também que existem diversos salões de Thule como aquele espalhados por Berlim. São portais, por ora fechados, para o misterioso continente de Thule. Os dois voltam para o salão, onde Béla é deixado conversando com Martha.

No sub-solo, Liam e Nádia investigam a outra porta. Esta serve uma câmara grande encrustada na pedra como uma caverna, onde no centro repousa um único cadáver atravessado por tubos: o Rabino Simeon Bergman. Os dois ativam a máquina que liga o cadáver, que começa a se debater. O rabino consegue apenas murmurar quatro palavras: Golem, Mitte, Thule, Vril. Os jogadores decidem acabar com o sofrimento de Simeon cortando os cabos que o aprisionam. O espírito de Simeon finalmente descansa. O cientista da outra sala surpreende os jogadores. Ele tenta fugir e é perseguido, atacando Liam com uma seringa que o acerta apenas de raspão. É finalmente morto pelos jogadores.
No salão, Béla fuma do ópio de Martha. Seu sinistro transe regado à Entropia volta a acontecer: o maestro sente claramente a casa ser invadida por guerrilheiros comunistas. Ele luta contra os soldados, buscando refugiar-se no banheiro, mas é atravessado por balas de uma metralhadora. Acorda aos berros no salão, sozinho, as luzes ainda mais apagadas. Os criados o acompanham até a saída, dizendo que Julius foi descansar.

A Resistência sai da casa de Évola, deixando um cadáver no sub-solo e a mente do maestro bastante conturbada. Béla Bártok se encontra em um denso processo de Iluminação.

Na volta para o barco, o misterioso barqueiro diz que Tyrderon deixou correndo o local, visivelmente perturbado.

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Capítulo VIII: O General da Resistência
Berlim, 15/02/1933

“O arquimago Bellisarius, da Capela Central de Doissetep, ordenou que eu organizasse a resistência à Sociedade de Thule em Berlim. Contra as inúmeras forças que se levantam contra nós, nosso regimento será militar. Todos os membros da Resistência devem obedecer o líder.”

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Fritz Stultz volta para organizar a Resistência

Com estas palavras iniciou-se a primeira reunião da Resistência em Berlim tendo Fritz Stultz, mago hermético da Casa de Tytalus, como seu general indicado. Os outros membros são a chamada Brigada Búlgara, uma cabala de magos igualmente herméticos recém-chegada da luta contra os nazistas no Leste Europeu. Eles são: Nicolai Dimitrov, líder do bando, Ulya, Mika, Sasha e Bogdar. Também compõe o grupo a garou Sofia, atualmente se recuperando no caern de Grünewald. Enquanto a Brigada é apresentada Stultz realiza um ritual hermético que cria o famoso Espelho de Belisarius, capaz de guardar tudo que é dito e buscar a verdade em seguida.

Uma das pautas da reunião é o que fazer com Sir Thomas Friedlander e Tyrderon, resgatados na noite anterior em Muggelheim. O arquimago ordenou a prisão e isolamento de Tyrderon para observação e que um julgamento fosse organizado para Friedlander, o Tecnocrata. Como não é possível o envio de magos para presidir o julgamento, Stultz terá a palavra final sobre o que deve acontecer com Friedlander.

Outro assunto discutido na reunião é o que fazer nos próximos passos da Resistência. Stultz é pragmático: o objetivo da resistência é primeiro destruir a Sociedade de Thule, o braço místico do nazismo que parece ter uma agenda própria em relação ao regime. Em seguida Hitler poderá ser assassinado; este é o objetivo principal da Brigada Búlgara. Este objetivo está distante, pois pouco se sabe sobre a liderança da Sociedade além de alguns operativos como Karl Haben. Sabe-se porém, que a Sociedade promoverá um encontro entre a Camarilla de Berlim (os vampiros organizados sob o Príncipe Gustav Breidenstein) e os líderes secretos de Thule em 10 dias, em lugar ainda desconhecido. A prioridade para Stultz é rastrear este encontro e realizar um ataque decisivo usando toda a ajuda possível, incluindo a Brigada Búlgara, os jogadores, e quaisquer garou ou vampiros que queiram ajudar. Para isso é preciso abandonar imediatamente esta caçada “insana” atrás do Golem; Stultz acredita que o Olho de Massada é apenas um boato e duvida que o Golem esteja terminado com Simeon, o único que conhecia sua fórmula, morto.

Béla Bártok se irrita com o novo líder da Resistência. Indignado com a decisão de Stultz de controlar o destino de seus protegidos (Friedlander e Tyrderon), o maestro ameaça deixar a Resistência e o Consulado. Liam ressalta que é preciso reunir mais informações antes de qualquer ação, e apresenta informações que parecem subscrever a idéia de que o Olho de Massada é real. Stultz, querendo ganhar a confiança dos rebeldes, revela então os supostos ingredientes para o Olho de Massada:

- Anel de Cádiz
Artefato sefardi roubado pelos Ravnos durante a Inquisição. Este anel já se encontrava nas mãos da Sociedade de Thule antes, obtido possivelmente após o aprisionamento em massa dos ciganos na Alemanha. Apenas os vampiros Ravnos conhecem o poder do anel.
- Pergaminho de al-Amin
Escrito na antiga língua enochiana, deve ser lido em voz alta para que o Golem seja acordado. É comum que mestres herméticos o conheçam de cor. Obtido por Hans Schmidt na Turquia e oferecido à Sociedade de Thule em troca de sua entrada.
- O Golem
Figura legendária do judaísmo, trata-se de um gigante de pedra construído para servir a um rabino. Simeon era o único rabino que se sabe a conhecer sua fórmula, e iniciou sua construção secretamente quando a violência anti-semita em Berlim aumentou. O Golem é sempre guardado por um Selo Salomônico que precisa ser destruído antes de ativá-lo.
- “Furor”
A lenda de Massada diz que devem ser oferecidos em sacrifício “os 16 membros da comunidade intocados pelo livre arbítrio”. Historicamente foram usados doentes mentais para o sacrifício, e há relatos que o número cabalístico em questão (dezesseis) refere-se à potência do feitiço, podendo ser aumentado ou diminuído, sempre à razão de 16.

Stultz também aceita que os jogadores visitem Tyrderon no porão do Consulado. Mas a criatura se encontra em estado deplorável, mortificado em sua forma felina, seus pêlos mais antigos do que a Humanidade caindo pelo chão. Friedlander se expressa pela primeira vez aos berros, dizendo que seu filho morrerá se mantido naquele porão frio. A Tecnocracia o envenenou para capturá-lo em Muggelheim, e somente um local ensolarado e com água corrente pode salvá-lo. Como seu mandato inclui a proteção de Tyrderon para posterior investigação, Stultz concorda em deixar que os jogadores levem o felino até o parque de Grünewald, onde também devem buscar Sofia.

Liam e Béla saem com Tyrderon escoltados por Nicolai. O mago, que parece admirar os feitos dos jogadores em Berlim (como o ataque contra o reverendo Von Kross e à mansão de Karl Haben) confessa que tampouco confia em Friedlander. Seu supervisor na Tecnocracia, um homem chamado Donald Richardson, é mundialmente conhecido entre os magos por ser implacável, ferozmente leal à União, e muito perigoso. Se Friedlander abandonou a União há uma semana (como afirma ter feito), então seus relatórios diários enviados para Richardson fatalmente incluiram informação vital sobre os jogadores e a situação em Berlim.

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O centro do caern de Grünewald

Em Grünewald, os jogadores fazem incursões diferentes. Liam é o primeiro a entrar, é vigiado de longe pelo Caça-Ratos como de costume, e logo encontra Selim Olhos-Velhos. O venerável peregrino silencioso o mira com consternação, pois Liam foi marcado em sua alma com um dom mortal dos Crias de Fenris alemães que o denuncia como inimigo de todo o grupo. Apenas quem pode retirar o dom são os próprios Crias da Floresta Negra; virtualmente todos dentro do terrível grupo Bruttenmacht. Liam leva Tyrderon até um regato de água, onde o ente feérico recupera aos poucos suas energias. Béla propõe um plano para libertar o prisioneiro: será atacado por Liam para simular uma briga, enquanto este fugirá com Tyrderon. Ambos partem para Muggelheim, onde Tyrderon permanece se recuperando. O felino informa que viu o corpo de Simeon no subsolo da casa de um vampiro antigo chamado Julius Évola. O vampiro esteve dormindo durante centenas de anos e voltou a acordar há poucos anos; apesar de poderosissimo, é ingênuo e curioso sobre todas as outras formas sobrenaturais. Também é um grande amante de música, especialmente da “novidade” da música clássica. Tyrderon visitou algumas vezes sua grande mansão, atraído pela energia de Simeon; o vampiro, cada vez mais interessado nele, chegou a pedir um pouco de seu sangue.

Béla segue para encontrar Sofia, que está no centro do caern. O Caça-Ratos diz que ele é esperado e o escolta por uma trilha sinuosa até um conjunto de pedras grandes que sombreia um pequeno olho d’água cristalina. Frau Ana, a líder de Grünewald, recebe o maestro. Sofia dorme tranqüilamente sob as pedras. A garou-mestra foi informada da maldição que recaiu sobre Liam, e não aprecia a onda de violência que vem varrendo Berlim. Sua missão em Grünewald é pacificar os garous e manter o parque como um território neutro, com os Crias mantendo o enorme e poderoso caern da Floresta Negra. Até agora a Resistência tem sido extremamente violenta e chamado a atenção dos nazistas, o que pode colocar o caern em perigo. Ana é simpática aos jogadores, porém, e concorda em deixar a grande guerreira Sofia sair com Béla.

Na volta ao Consulado, Stultz está enfurnado em seu quarto meditando e ocupado com operações militares. A Brigada está reunida, e os soldados estão radiantes com a grande “Açougueira da Criméia” de volta.

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Capítulo VII: Blitzkrieg em Muggelheim
Berlim, 14/02/1933

14 de fevereiro de 1933. É uma fria noite de inverno em Berlim, e Sir Thomas Friedlander liga para o Consulado da Bulgária com uma voz grave: “*Tyrderon* encontrou o corpo de Simeon, mas está sendo caçado de perto pela Tecnocracia. Precisamos resolver este problema”. O misterioso homem-gato também é caçado pela Camarilla, que pensa que ele foi o responsável pela morte do Reverendo Von Kross. O Príncipe Gustav Breidenstein está organizando uma conferência com a Sociedade de Thule para aliar toda a Camarilla de Berlim à sociedade secreta nazista, e quer “mostrar serviço” matando os dois responsáveis pela morte de sua cria: Tyrderon e o Professor Stultz. O poderoso Nosferatu Lord Humboldt e seu assistente Martin Hohenstauffen são os únicos que sabem da verdade: Nádia e seus aliados mataram Von Kross. Humboldt quer ser ele a pegar Tyrderon e promete esconder Nádia do Príncipe, se ela ajudá-lo. O Nosferatu é informado da presença de Tyrderon no bosque de Muggelheim e a emboscada é armada. Friedlander, que é caçado pela União Tecnocrática por ter libertado Tyrderon, alerta os agentes da Tecnocracia para sua presença e a de seu “filho” na beira do lago Krumme.

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Friedlander deixa um carro na estrada com equipamentos de transmissão para o grupo, e vai para o lugar combinado. Béla se posiciona do outro lado do lago com um rifle de precisão enquanto Liam (tendo Muggelheim como seu Território) e Nádia vigiam o perímetro. O ronco grave de um motor pode ser ouvido à distância: é um estranho avião negro que parece pairar sobre o ar enquanto patrulha o chão com seus holofotes. Um automóvel estaciona às margens do lago com cinco homens vestidos de casacos e chapéus. Eles falam um inglês com sotaque americano e se encaminham cautelosamente para onde estão Friedlander e Tyrderon, perscrutando o ambiente com máquinas sofisticadas.

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_Brucilli: Friedlander, você está preso por violar o código da União.

Friedlander: Agente Andrew Brucilli, eles enviaram você? Eu devo ter irritado mesmo seu sindicato fascista.

Brucilli: Onde está Tyrderon?

Friedlander: Não sei. Íamos nos encontrar aqui, mas não sei onde ele está.
_

Friedlander é algemado enquanto outro agente busca por Tyderon. Mas um combio de dois caminhões liderado por um jipe se aproxima pela estrada sul. Os caminhões não possuem marcações militares, apenas uma cabeça de lobo branca pintada com as iniciais “BM”. No jipe estão quatro oficiais da SA, que lideram uma brigada grande de soldados da mesma corporação. Os tecnocratas percebem a movimentação e se espalham pelo bosque. Ao se aproximar de Brucilli, o oficial de maior posto grita para que larguem as armas. Béla se aproveita do confronto e, usando magia para atrasar o som da arma, dispara contra Brucilli, que é ferido no pescoço. Os agentes escondidos no bosque começam imediatamente a atirar suas armas, metralhadoras hiper-modernas que disparam rajadas letais de energia. Um dos oficiais é dilacerado na hora pelos disparos, e os outros pulam no lago congelado para se esconderem. Friedlander corre para o norte. Liam, saltando velozmente entre a Umbra e seu Território, joga uma granada na direção de Brucilli. Os oficiais nazistas se erguem da neve com um urro enfurecido, seus corpos explodindo com a Fúria e tomando a violenta postura Crinos. O oficial de mais alto posto possui uma reluzente pelagem branca, indicando Raça Pura. Os garou atacam impiedosamente os tecnocratas no bosque, que não tem chance alguma contra três crinos furiosos. Béla atira no oficial à distância, e este parece desenvolver uma dura carcaça como defesa. A granada explode, ferindo mortalmente Brucilli; Liam salta das árvores com sua espada e termina o serviço. Os garou se espantam com o Bastet em sua forma de crinos, e se preparam para atacá-lo. Béla segue atirando contra os soldados, mas é percebido e recebe fogo de volta. Nádia, transformada em corvo, convoca os pássaros do bosque a atacarem os garou, distraindo-os enquando Liam foge com Friedlander.

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No sul do lago, um dos carros arranca em velocidade pela estrada com um agente dentro. Béla corre para estrada e de longe consegue acertar o painel do veículo, fazendo-o cair na vala lateral da estrada de terra. O agente e o mago Vazio passam a confrontar-se com metralhadoras e granadas enquando Nádia usa seus corvos para atrapalhar o inimigo. Liam sai da Umbra de dentro do automóvel e ataca o agente com sua espada, vendo Tyrderon desacordado como gato no banco do passageiro. No entanto, os garous nazistas se aproximam. Béla sente misticamente uma presença em seu encalço e reconfigura o Tempo para poder fugir, jogando uma granada na direção do agente enquanto corre. Liam passa a tentar tirar o carro da vala para poder fugir, levantando-o como Crinos. Um dos garous, em forma Lupina, vê Liam à distância e emite um estranho e terrível uivo que entra na alma de Liam, permanecendo lá como uma maldição ruim. Outro garou (o oficial) corre como Hispo atrás de Béla, usando toda sua Fúria para poder alcançá-lo. Béla, desesperado, mais uma vez explode os limites da realidade para dobrar o Tempo e conseguir reagir: com a metralhadora hiper-moderna do agente em mãos, ele disparam uma rajada mortal contra o Hispo, destruindo tudo em seu caminho. Liam consegue colocar o carro de volta na estrada e Friedlander foge com Tyrderon para o Consulado. Tendo se livrado da ameaça imediata, o grupo consegue despistar seus caçadores pela Umbra, voltando para Berlim.

Ao chegarem no Consulado, descobrem que Stultz voltou com o resto da Brigada Búlgara. Ele está enfurecido com o fato dos jogadores terem trazido um tecnocrata para dentro do Consulado. Uma reunião sobre os próximos passos da Resistência é marcada para o dia seguinte.

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Capítulo VI: "Where were Tyrderon cat?"
Berlim, 12/02/1933

Voltando das Terras Sombrias, o grupo está exausto e perturbado pelo que viu. Uma vez presente às docas dos mortos, a mente resiste em lembrar-se que um dia viveu, e o mortal Béla Bártok é o que mais se apercebe disto. A presença de Nichola segue acompanhando os jogadores; Liam sente Asura nesta presença. O Guardião do caern de Grünewald, Heinrich “Caça-Ratos” (Rättenjaeger) encontrou alguém bisbilhotando o perímetro: trata-se de Theodor Murka, vampiro Nosferatu aliado de Nádia. Theodor resgatou junto à Gestapo uma mensagem codificada que parecia buscar Tyrderon, o guardião de Simeon. Ele informa Nádia que Lorde Humboldt a procura, ávido por notícias do “Gato Assassino”. Theodor também descobriu que o Príncipe de Berlim fará uma reunião importante com os líderes da Sociedade de Thule no dia 27 de fevereiro e precisa ter o assassino de Von Kross até lá para ser respeitado como liderança vampírica. Não se sabe ainda onde será o importante encontro. Humboldt aguarda Nádia no Observatório de Archenhold, e ela vai acompanhada de Béla Bártok. O Nosferatu dá a Nádia 22 horas (mais ou menos) para encontrar Tyrderon. Ele ressalta que envolver humanos é quebra da Máscara, mas diz não ser inimigo de Nádia. No segundo andar do Observatório, Liam investiga uma figura humana, mas é detectado e foge.

O comunicado interceptado oferecia dois endereços: o de Sir Thomas Friedlander e o da base “Augustus”, de responsabilidade de um certo agente Andrew Brucilli. O grupo visita o “velho amigo” Friedlander e o encontra em estado depressivo, desmotivado a seguir lutando.

O velho inglês conta sua história: cresceu trabalhando e acreditando na União Tecnocrática e em seu ideal de proteger a humanidade contra as aberrações, e alcançou certo prestígio nos círculos britânicos. Contudo, ao investigar padrões mágikos antigos nos arquivos da organização, acabou descobrindo sobre a Guerra Mítica entre os Tuatha de Danaan e os Thulianos na era pré-romana. Estas duas antigas civilizações habitavam a Irlanda e a Escócia e viviam em paz até os Thulianos descobrirem um enorme e mortal poder tecnológico enquanto escavavam suas minas nas Highlands escocesas. Eles atacaram os Tuatha, que conseguiram revidar e expulsar os thulianos para dentro de suas minas, selando-os. Embora o relato fosse quase mitológico, Friedlander se desesperou ao encontrar indícios da atuação dos thulianos no mundo moderno, principalmente fornecendo tecnologia e informação a um grupo chamado Sociedade de Thule. E se desesperou ainda mais quando foi barrado dentro da Tecnocracia de investigar o grupo.

Durante uma visita não-autorizada aos porões de um Constructo tecnocrático inglês encontrou uma relíquia viva: um jovem rapaz, descendente direto dos Tuatha de Danaan, preso e escravizado pelos tecnocratas, chamado Tyrderon. Friedlander o libertou ilegalmente e jurou defendê-lo. Juntos, Friedlander e Tyrderon começaram o lento processo de identificar os membros da Sociedade de Thule, sempre trabalhando clandestinamente dentro da Tecnocracia. Eles descobriram que a Sociedade de Thule havia desenterrado um antigo e poderoso feitiço e estavam juntando os ingredientes para conclui-lo. Ao perceber que um dos ingredientes, o Golem, já estava sendo fabricado por uma cabala judaica desesperada para proteger-se dos nazistas, Friedlander enviou Tyrderon para proteger a qualquer custo o líder da cabala contra a Sociedade de Thule.

Sabendo que tanto a Tecnocracia quanto a Camarilla (inimigos naturais) buscam Tyrderon, Friedlander tem a idéia de jogar os grupos um contra o outro. Todos vão ao hospital universitário tentar buscar Neumann, mas ao infiltrar o local, Liam é atacado por um garou com uniforme marrom da SA.

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Capítulo V: As Terras Sombrias
Baixa Umbra, 11/02/1933

Voltando do ataque à casa de Karl Haben (onde Hans Schmitt morreu), o grupo de jogadores se abriga inicialmente no Consulado da Bulgária.

De lá, Béla Bártok envia uma carta de volta a Maxwell Ldescu contando da situação em Berlim, da morte de Simeon e da Sociedade de Thule. Em seguida, os jogadores vão ao caern de Grünewald buscar orientação sobre a morte de Schmitt, que era procurado pelo garou Selim “Olhos-Velhos”. Selim diz que Schmitt era procurado por toda sua tribo (os Peregrinos Silenciosos) por ter violado um lugar sagrado da tribo e roubado um antigo pergaminho, o Pergaminho de al-Amin. Selim diz que os Peregrinos no momento são a tribo mais preocupada com o crescimento do nazismo, pois estão observando de primeira mão como os mortos inquietos assassinados nas fronteiras se acumulam nos portões das Terras Baixas. Cumprindo a promessa que fez aos jogadores de acompanhar-los aos portões da Necrópole para buscar o espírito de Simeon e/ou Schmitt, Selim dá início ao ritual de ferir a mortalha e entrar nas Terras Baixas.

Ao atravessarem, se encontram com um espírito que há dias acompanha Selim: o Doutor Nichola, pego no ataque à Universidade e sacrificado ritualmente por um ser poderoso e desconhecido. Nichola tem vagado sem rumo pelas Terras Baixas, sem saber quem o enviou para lá e com qual motivo; a situação é proposital, dado que o doutor era um vampiro e não deveria se transformar naturalmente em um espírito inquieto.

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Nas Terras Baixas, um desfiladeiro de terra seca dá visão a um enorme rio de águas escuras, cujas margens apinhadas de almas penadas servem de docas para a travessia rumo à Necrópole do outro lado. O serviço de travessia é oferecido por uns poucos barqueiros, e há muito mais almas chegando do que atravessando o rio; o clima é de caos e desorganização, e a sensação é de que se as almas continuarem chegando nesse ritmo, não haverá mais lugar nas margens e as massas serão empurradas rio adentro. Em alguns trechos das margens existem filas gigantescas para conseguir pegar a barca, e em outros há completa confusão e os mortos se digladiam pelo direito de atravessar o rio. Tentando em vão organizar a massa ensandencida existem soldados a cavalo (os Legionários) e alguns mais poderosos montados sobre criaturas aladas (os Ceifadores). Os jogadores descem o barranco para a margem e se infiltram na multidão, sendo claramente percebidos como “vivos” e não pertencentes àquele lugar. Imediatamente um grupo de soldados se organiza para expulsá-los, e um Ceifador voando sobre um dragonete ataca: não é ninguém menos do que Hans Schmitt, desfigurado de ódio e buscando vingança contra Liam, seu assassino. Nádia, em forma invisível, avista Simeon entrando na barca para a Necrópole e tenta se comunicar com ele. Com a boca costurada e vigiado de perto pelo poderoso Barqueiro, o velho rabino suicida consegue rabiscar o nome do bairro onde está localizado o Golem: Mitte, no centro de Berlim. Nichola tenta interceptar a barca com seu poder de Salto mas erra o alvo e cai dentro do Rio da Tormenta. Os jogadores se organizam para salvá-lo: Béla distrai os Legionários e Liam domina o dragonete para resgatar voando o pobre espírito do Doutor. De posse de alguma informação e com um novo velho aliado das tumbas, os jogadores fogem das Terras Sombrias.

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Capítulo IV: Paranóia
Berlim, de 08 a 11/02/1933

Stultz está arrasado por ter matado os adolescentes e deixa sua casa, dizendo que voltará em alguns dias. Theodor Murka se encontra com sua aliada Nádia na frente do Parque Grünewald e diz que o Lorde Humboldt a procura. Foi ele quem indicou os jogadores a salvarem Nádia do ataque da Brigada. No Observatório de Archenhold, o Nosferatu espera com o Tremere Martin Hohenstauffen. Ele revela que Von Kross era um Ventrue e cria do Príncipe de Berlim, Gustav Breidenstein. O Príncipe busca o assassino de sua cria implacavelmente. Humboldt diz que há um “metamorfo que se transforma em gato e usa uma espada” matando soldados por Berlim, e o quer morto; será o bode expiatório para o Príncipe. Se Nádia conseguir localizar este metamorfo e matá-lo, Martin Hohenstauffen revelará a localização do Golem, o último ingrediente do Olho de Massada.

Enquanto isso, Liam e Béla se refugiam no caern de Grünewald, onde são recebidos pelo Caça-Ratos, guardião do local. O Parque está recebendo muitos refugiados, e o garou concorda em abrigar os dois pela noite. Durante a noite, Béla tem um pesadelo com a capela sendo invadida por hordas de crianças, e vê o Dr. Nichola e o rabino Simeon. Liam é interpelado por um velho garou que se identifica como Olhos-Velhos, dos Peregrinos Silenciosos. Ele pede um favor: que traga informações sobre Hans Schmidt, um pesquisador que cometeu crimes contra sua tribo enquanto escavava na Turquia. Em troca, ajudará Liam a entrar na Baixa Umbra, a Terra dos Mortos Inquietos, e localizar Simeon Bergman.

Os jogadores se encontram perto do portão de Brandenburgo e vão para a casa de Simeon. Lá, encontram Tyrderon, o Guardião, caído e bêbado na sala. Ele foi aprisionado por Sir Friedlander para proteger Simeon, e ao falhar sua missão, aparentemente se dedicou a beber todos os dias no bar. Após Béla enfraquecer com Entropia o encanto de Friedlander, Tyrderon se junta aos jogadores, mas passa mal no dia seguinte quando sente Friedlander perto e desaparece.

Os jogadores passam a vigiar a casa de Karl Haben, e pedem ajuda da “Brigada Búlgara”, um grupo de resistência recém-chegado à cidade indicado por Stultz e Neumann. Ao chegarem no consulado, só encontram Sofia, uma garou que diz ter passado os últimos anos combatendo os nazistas no Leste Europeu, e quer morrer levando a maior parte de nazis consigo.

Após 2 dias de vigilância, Liam entra como felino, recebido por uma mulher misteriosa que freqüenta a casa. Nádia se infiltra na casa como névoa e encontra Hans Schmidt em um estúdio completamente cheio de livros e papéis. Liam mata Schmidt, e ao fugir Nádia acaba sendo vista por um guarda. No tiroteio que acontece, Béla elimina soldados com um rifle de longo alcance e Sofia ataca os guardas como Hispo, mas é bastante ferida. Os jogadores fogem para o Consulado da Bulgária.

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Capítulo III: Widerstand (Resistência)
Berlim, 07/02/1933

O Professor Stultz encontra o espião da Sociedade de Thule que levou a Brigada 6761 para dentro da Universidade: o novo reverendo da capela luterana do campus, o Reverendo Von Kross. A Resistência organiza um ataque na manhã seguinte, e Stultz oferece a Nádia um vidro com sangue de fada para resistir à luz do dia.

O local está sendo usado pela Juventude Hitlerista e está cheio de crianças e adolescentes. Stultz espera no carro, Liam se infiltra e Nádia/Béla entram em seguida. Enquanto Liam busca por Von Kross, uma briga com adolescentes chama a atenção do público e Nádia e Béla entram na capela.

Von Kross é um vampiro, e está no subsolo dormindo sobre um altar, cercado de crianças armadas. Ele acorda e passa a usar seu poder para fazer com que as crianças ataquem os jogadores. O combate termina com Béla atrasando o Tempo e fuzilando Von Kross. Ao voltarem para o carro, encontram Stultz desesperado após ter metralhado três jovens que o atacaram. A Resistência foge para a casa de Stultz.

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