Noite das Facas Longas

Capítulo XIV: O Incêndio do Reichstag
Berlim, 27 de fevereiro de 1933.

O Olho está aberto. Após lutas sangrentas e mortes, o Golem fora destruído e o ingrediente final para o feitiço fora completado. Se as lendas sobre o Olho estiverem corretas, a tensão social, o ódio e o medo coletivos devem se espalhar, primeiro, por toda a cidade de Berlim; impossível dizer o que acontecerá em seguida, porém. O Olho de Massada fora usado no passado em sociedades pequenas como as tribos judaicas sob ocupação romana ou as cidades-estados mesopotâmicas, e causara décadas de destruição e incontáveis mortes. Ninguém sabe qual será seu efeito em uma sociedade industrial de milhões, e a julgar pelo que fora dito por Julius Évola, novas tecnologias como o rádio provavelmente devem ampliar muito seu efeito.

A Resistência se recolhe em Grünewald. Toda a discussão sobre se o Golem devia ser terminado ou não, se deveria ser resgatado, se o Olho era real ou apenas uma lenda, ficara no passado. Aqueles com certa conexão mística com a realidade, como o Dr. Nichola, Béla e Selim, sentem em seus corações que o Olho é real e que seu terror começa a se espalhar por Berlim. Pragmáticos como Stultz, Dimitrov e a maior parte dos Garous estão preocupados demais com os Grandes Males para se importar com uma lenda, por enquanto. Independente da visão, a moral da Resistência após a noite passada está abalada. Béla Bártok está à beira da morte, e Selim inicia um ritual que transfere sua energia para o maestro. O Vazio parece melhorar sobrenaturalmente, enquanto Selim envelhece ainda mais, adormecendo pesadamente durante o processo.

Não há tempo para lamentar. Vigiando por dias o Reichstag berlinense, a Brigada Búlgara tem a confirmação: o Pólo Central da Sociedade em Berlim fica no prédio do congresso, e lá será a reunião que selará a aliança entre a organização nazista e o Príncipe de Berlim, Gustav Breidenstein, na noite seguinte. Visivelmente nervoso pelo que julga ser o grande dia da Resistência, o Professor Stultz convoca uma reunião em Grünewald com todos os garou do caern, e pela primeira vez é atendido. A clareira nas profundezas do bosque que abrigou a Resistência é lentamente ocupada por uma diversidade de homens e lobos. Nordeskald e Heinrich podem ser vistos, e até Frau Ana comparece, embora permaneça de pé. Alguns já foram vistos pelo caern antes: um grande lobo negro que parece acompanhar Ana, um homem de uns 50 anos com um olhar profundo e feições do Leste Europeu, muitos cliaths (Posto 1) de diferentes tribos.

Dimitrov, com sua farda verde-oliva e seu quepe russo, sobe em um tronco de árvore para discursar. Calmo como um verdadeiro general, explica a importância do ataque e menciona Joseph von Reissmann, banqueiro, financiador de Hitler e o posto mais alto da Sociedade abaixo do desconhecido grão-mestre. O búlgaro ressalta que a oportunidade única de pegar Reissmann e o Príncipe deveria mobilizar todos a ajudar no ataque. Os garou não parecem impressionados, discutindo ente si com desaprovação.

Stultz sobe e, diferente de Dimitrov, está suando nervosamente e visivelmente abalado. Para Bártok, sua presença suscita uma ressonância dinâmica e um forte traço de Paradoxo.
“Amigos de Grünewald. O Olho de Massada está aberto. Todos os habitantes de Berlim, homens e mulheres, velhos, crianças, todos sentirão seus efeitos cada vez mais. Eu esperava que o Golem ainda estivesse incompleto, mas meus temores se confirmaram. Infelizmente Sofia está desaparecida desde ontem por causa desta luta, e devemos honrá-la. Temos o dever de nos levantarmos contra a Sociedade de Thule e impedir que uma catástrofe de massas aconteça. Eu sei que o governo alemão, até agora, tem respeitado o território de Grünewald. Mas a Sociedade tem sua agenda própria, e é bem possível que esteja manipulando alguns dos seus. Não devemos confiar neles…”

O burburinho ficou alto a ponto de emudecer o professor hermético. “Esteja manipulando alguns dos seus” gerou protestos nervosos, e mais de um rosnado foi ouvido entre as vozes da plateia. Para os Fenris que ficaram no caern, especialmente, esse tipo de conversa facciosa lembrava muito os tempos sangrentos da luta de Nordeskald contra os anciões há uma década; exceto que eles jamais aceitariam a orientação de um gandwere, um mago. De forma curiosa, a presença de Nádia suscitava menos paixões do que a dos magos, especialmente o estourado Stultz, mas cada vez mais também Béla Bártok, por quem o nobre Selim teria tanto se sacrificado.

O próprio Anton Nordeskald então levantou sua voz como um trovão para quebrar o burburinho, rompendo um pacto de silêncio de 10 anos. “Eu ajudarei no que for preciso. Não tenho experiência em infiltrações desse tipo mas posso fortalecer o perímetro, criar confusão e atrasar os reforços”. Toda a Resistência aplaudiu. Bártok aproveitou a deixa e fez também um discurso de conclamação à batalha. A Sociedade de Thule não deixaria ninguém em paz enquanto estivesse com um poder tão grande nas mãos, e a verdade é que poucos ali tinham a exata noção do perigo que representava o Olho de Massada. Imersos em seu refúgio precário, a maioria dos garou não tinha a sensibilidade para sentir, como o Vazio sentia, a iminência de um desastre de proporções cataclísmicas. O maestro foi pouco aplaudido pelos garou, porém.

Vestida em seu poncho indígena, Frau Ana interrompeu os discursos para informar que Grünewald receberia, naquela noite, uma comitiva de Otto e sua matilha para tentar invocar novamente o avatar do Leão. A última noite de lua nova indicava o momento, e exclusivamente os garou deveriam participar do ritual. Ana agradeceu a Liam por ter reaproximado os grupos e pediu a todos que considerem o momento delicado para uma operação desse tipo.

A reunião dispersou em seguida, com garous discutindo estratégias diversas. A Resistência se reuniu e avaliou os planos para a infiltração do Reichstag.

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O Príncipe foi o primeiro a chegar, visivelmente irritado. Seu rosto deformado em uma careta secular foi reconhecido por Nádia, mas a de seu companheiro (a quem chamava de Wilhelm), não. Liam, Béla e Nádia tinham uma boa posição de visão pela saída de ventilação do andar superior. Chegaram ali, junto com o resto da Resistência, esgueirando-se pelos corredores do prédio sem levantar alarme, precedidos habilmente por Liam em sua forma felina. Sob instruções de Stultz, instalaram sob a mesa de reuniões o Selo de Artemísia, artefato hermético que canalizaria um poderoso efeito conjunto de Forças para dentro da sala, cozinhando todos seus habitantes vivos como em um forno. Dimitrov parecia particularmente contente com o efeito que isso teria sobre o Príncipe; Mika havia trocado o bom-humor habitual por uma expressão séria, e Sasha se resumia a trocar frases curtas em búlgaro com seu líder.

_“Você tem certeza que o maldito Giovanni não virá a reunião, Wilhelm?”

“Sim, senhor. Minhas fontes tem observado-o há noites.”

“Pois bem. Volte para casa e avise os mais próximos da reunião.”_

Wilhelm se retira, deixando o Príncipe sozinho até que, 30 minutos depois, um novo grupo chega: um homem careca de jaleco branco e óculos, um oficial militar com a insígnia da 6761 e Johann, o mesmo homem sério visto na casa de Julius Évola há noites atrás. Eles cumprimentam o Príncipe e se apresentam. O de jaleco chama-se Doutor Ernst Plosser, e o oficial, Tenente Lars. Em seguida um brilho forte de flash ilumina a sala, assustando o Príncipe Gustav. É Reissmann, vestido impecavelmente com um casaco de pele longo e uma cartola alta, aparentemente segurando um tipo de dispositivo de teleporte. Ele se apresenta e começa a falar sobre a Sociedade para o Príncipe:

“Príncipe Breidenstein, é uma honra encontrá-lo pessoalmente. Esta reunião, acredito, selará o alinhamento de interesses entre a Sociedade de Thule, da qual represento, e a Camarilla de Berlim. Nossa Sociedade foi fundada como uma organização de pesquisa por um grupo de cientistas chefiados pelo doutor Neumann. Seu objetivo era estudar uma terra mítica que existiria no centro da Terra, Thule, e como essa lenda aparece em diferentes culturas ao redor do globo. As primeiras descobertas de Neumann e seus colegas foram assombrosas. Primeiro eles identificaram uma rede global de templos dedicados a Thule, perfeitamente alinhados em grandes trilhas. Experimentos no templo revelaram grandes portais escondidos em suas paredes de pedra, e Thule mostrou-se ser muito mais do que uma lenda.

Em 1906 a Sociedade fez contato com uma entidade misteriosa, que passou a chamar de Grão-Mestre. Esta entidade dizia se originar de fora da Terra, e havia se refugiado nas profundezas do subsolo por motivos desconhecidos. Observador silencioso da humanidade através dos milênios, o Grão-Mestre prometeu um plano de melhoramento da espécie humana, completo e inescapável, que permitiria unificar Thule e a Terra em uma só sociedade brilhante. A separação dos reinos seria superada, e as espécies teriam um reino tecnológico da vontade para inaugurar e governar.

Como você sabe, eu trabalho com uma organização conhecida vulgarmente como o Sindicato, filiado à grande e milenar União Tecnocrática. Bem, nosso grupo é responsável por… administrar o consenso em torno da mais poderosa das mágikas sociais do nosso tempo: o dinheiro. A União havia se interessado nas descobertas iniciais da Sociedade, mas em 1912 se assustou com os resultados e decidiu retirar o apoio ao projeto. Neumann, o homem da Tecnocracia na Sociedade, se afastou e passou a pesquisa por conta própria. Temos indícios para crer que ele chegou a visitar Thule; o único a conseguir fisicamente ir para o reino. Foi então que eu entrei para a Sociedade, mobilizando secretamente os recursos do Sindicato. Consegui o dinheiro e o pessoal para construirmos um submarino, o Wosenhauten, que seria capaz de entrar em Thule através de um portal particularmente estável, mas após a derrota da Alemanha em 18, o Wosenhauten foi capturado pelos ingleses. Percebi que eu precisaríamos de uma estrutura de governo para continuarmos com as pesquisas, e foi aí que convidei Hitler para a Sociedade, embora ele tenha participado apenas das reuniões subalternas.

A Tecnocracia estava rachada em torno de dois projetos opostos para administração das massas: capitalismo e socialismo. A minha posição desde então, e até hoje, é que não há salvação em nenhum destes sistemas. Todas as projeções econômicas e demográficas indicam que o mundo entrará em guerra nos próximos 10 anos, e a Alemanha tem as condições perfeitas para que instalemos nosso plano. A Tecnocracia inglesa é decadente e a americana, corrupta. Os tecnocratas russos estão fazendo avanços, mas podemos oferecer algo melhor. Na verdade, a velha Tecnocracia já não mais nos serve. O conhecimento oferecido pelo Grão-Mestre é maior e mais poderoso do que qualquer modelo científico que eles podem criar. Haverá guerra e a Alemanha provavelmente irá perder; no entanto, quando isso acontecer já teremos conseguido mobilizar os recursos industriais que precisamos. Após a guerra, transferiremos nossa base para um país mais propício, como os Estados Unidos ou o Japão.

Para nos ajudar, o Grão-Mestre precisa de duas coisas: recursos para construir as instalações necessárias para o trânsito com Thule, e vidas humanas. Sim, sabemos que os vampiros não gostam de sacrificar seu gado, mas com a guerra diante de nós, será inevitável. Explico. Soubemos através do Olho de Massada que o Grão-Mestre se alimenta das consciências humanas no momento de sua morte; especialmente aquelas enlouquecidas pelo sofrimento. Nossos primeiros experimentos com doentes mentais geraram sucessos incríveis, e o Grão-Mestre nos presenteou com isso: um cilindro que contém a Luz de Thule, uma fonte de energia infinita que será o fator decisivo nesta guerra.
Muitos morrerão no conflito, então, tanto melhor que forneçamos essas mortes ao Grão-Mestre para conseguirmos novos recursos. A tecnologia deles é incomparável, e precisamos de novos presentes como esse.”

Vestido como um típico contador ordinário, Johann teve a palavra.

JOHANN: “Graças a Thule, nossos avanços tecnológicos tem ultrapassado até mesmo a Tecnocracia. A luta de ontem foi uma oportunidade de testarmos novos dispositivos. Nossa Brigada de Elite se saiu muito bem, e as novas armas e melhoramentos se mostraram eficazes. Estamos trabalhando em uma segunda brigada melhorada, que terá o único objetivo caçar os membros da Resistência; ela deve estar pronta para o combate em breve. O protótipo do tanque Caçador foi utilizado pela primeira vez em combate, embora estivesse incompleto. Melhorias no sistema de ventilação precisam ser feitas, pois ele aparentemente foi infiltrado por uma vampira.”

O oficial então foi apresentado como novo chefe da Brigada 6761.

TENENTE LARS: “Sou o Tenente Lars, novo chefe da Brigada 6761 após a morte desafortunada do Major Karl Haben. Haben era um oficial exemplar e um membro antigo da Sociedade, enquanto eu sou membro há menos tempo. No entanto trabalharei para caçar os malditos da Resistência sem perdão. Sabemos que são liderados por Stultz, o fanático da Ordem de Hermes. Há certamente um metamorfo e uma vampira, gostaria de enfatizar com o Príncipe a necessidade de investigá-la. Sabemos que há um mago com o grupo e já temos boas hipóteses de quem seja, estamos investigando-as com prioridade.
O homem de jaleco, Doutor Ernst Plosser, tem a palavra.”

DR. PLOSSER: “Sou o Doutor Plosser, diretor do SPD, a divisão de projetos especiais do Exército Alemão. Nossos resultados em melhoramento nos prisioneiros do Campo C tem se mostrado bastante eficazes, embora muitos tenham morrido durante a experiência. Fico feliz em anunciar que pela primeira vez temos um vampiro em bom estado para experimentação, e melhor ainda, uma garou. Estamos trabalhando nesses espécies, e novos melhoramentos devem ser anunciados em breve.”

O Príncipe ouviu com atenção e algum espanto às manifestações. Sua prioridade é Berlim, e ele sabe que terá que tomar uma posição no conflito que se anuncia; a Sociedade parece o mais poderoso dos grupos, e dane-se a Camarilla se isso significar quebra da Máscara. Suas condições: a captura do Justicar que está investigando-o na cidade e da Resistência que tem agido nas últimas semanas.

Os jogadores dão o sinal para o ataque. Um cheiro de madeira queimada é imediatamente sentido, e fumaça começa a subir pela tábua. Bártok sente uma tensa onda de paradoxo, quase desmaiando no processo: algo deu muito errado. Ao invés de cozinhar, a sala explode em chamas seguidamente como fogos de artifício. Reissmann imediatamente se telepora. O Príncipe se levanta e corre para fugir para a porta, mas suas pernas pegam fogo no caminho e ele se prostra incediado. Todos da sala, menos Reissmann, entram em combustão, suas bocas escancaradas gritando e cuspindo chamas pelas entranhas. O fogo, porém, está descontrolado, e uma cobra de fogo gigante explode por todo o andar do prédio, destruindo praticamente todas as salas da ala oeste do Reichstag; incluindo a sala onde estavam Stultz e a Brigada Búlgara.

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O que restou da Resistência foge pela janela, caindo no gramado dos fundos do Reichstag. Os soldados da patrulham abrem fogo: Béla os metralha de surpresa enquanto Liam se movimenta para emboscá-los e Nádia chama animais para atacá-los. Após lidar com os guardas, eles atravessam o gramado sob tiros e pulam o portão de ferro pra encontrar Friedlander, que os espera em um carro na rua. Uma perseguição se inicia, com jipes do Exército no encalço do velho calhambeque dirigido por Friedlander. Bártok usa efeitos de Entropia para atrapalhar os perseguidores, e a Resistência consegue chegar em Grünewald. No horizonte, o céu está alaranjado pela tocha gigantesca do Reichstag queimando. Friedlander se despede emocionado dos jogadores, pois planeja buscar por Tyrderon sozinho pela cidade.

O plano de Selim para a Resistência seria fornecer a eles a única via de saída possível da cidade amuralhada pelo Círculo de Ferro: uma Ponte para a Lua de Grünewald para seu próprio caern, o caern da Roda de Ptah em Casablanca, Marrocos. Fora de Berlim e da influência imediata do Olho de Massada, os jogadores poderiam agir para salvar a cidade da Sociedade de Thule sem serem caçados como animais pela população. A ponte de Grünewald geralmente levava para o caern da Floresta Negra, a base principal dos Crias de Fenris na Alemanha e eminentemente alinhada com os nazistas de Otto, mas Selim havia conseguido manipular para que a ponte abrisse por uns instantes para Casablanca. Os jogadores deveriam apenas se infiltrar em Grünewald durante o encontro entre Ana e Otto, disfarçar sua identidade para os guardiões do portal e levar um presente para o Mestre da Ponte. Uma vez em Casablanca, deveriam procurar por Rafiq no bazar central da cidade.
Os jogadores passam desapercebidos pela grande aglomeração de Fenris nazi e chegam ao Portal, um círculo de pedra no ponto mais alto de Grünewald. Se despedindo rapidamente da cidade que tanto os perseguiu, eles entram no que parece ser um corredor escuro de galhos de árvore e saem imediatamente no salão iluminado da Roda de Ptah, o local mais sagrado do mundo para os Peregrinos Silenciosos. O Mestre pede-lhes um tributo, e Liam oferece a klaive resgatada no ataque ao Golem: um presente grandioso que atrai a admiração dos presentes. No entanto, um dos guardiões nota algo estranho no portal. Enfurecido, ele assume a forma de Crinos e pergunta aos jogadores se foram seguidos.
Do portal aberto, uma rajada furiosa de balas de prata atravessa a sala, estraçalhando imediatamente o guardião mais próximo e ferindo o Mestre da Ponte. Em seguida, um Crinos gigantesco, de pêlos brancos e indumentária nazista, atravessa o Portal carregando uma metralhadora giratória prateada a cuspir um inferno de morte e destruição sobre os guardiões. Atrás dele uma coluna grande com dezenas de Crinos invade como formigas o salão do caern, rapidamente matando os guardiões do Portal. Os jogadores fogem da sala, escalam o muro da mesquita que guarda o caern e correm assustados pela noite de Casablanca, buscando o caminho mais óbvio para o mercado da cidade.

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Capítulo XIII: Der Golem
Berlim, 26 de fevereiro, 1933.

Em posse das linhas de Thule e de Vril, a Resistência pode encontrar o ponto de cruzamento que sinaliza o fluxo de energia necessário para a construção do Golem. A operação, dirigida pelo grupo de Bártok, Liam e Nádia, tem um problema evidente: o local do Golem está a uma quadra do quartel-general da Brigada 6761. Coincidência ou uma estratégia deliberada do rabino Simeon, o fato é que a proximidade torna o local, um conjunto de quadras no bairro central de Mitte, altamente patrulhado. A casa de dois andares parece abandonada com suas janelas pregadas com tábuas, mas uma investigação de Nádia revela que o porão guarda o misterioso gigante de pedra.

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Béla sugere que a Brigada seja avisada da localização do Golem, movimentando-se assim para destruir assim o poderoso Zelote que o guarda e permitindo a fuga do Golem pelos esgotos. O ataque deve ocorrer um dia antes da reunião no Pólo Central, no 26 de fevereiro. Stultz, o general, delega o planejamento e a liderança para o grupo do maestro, enquanto Dimitrov e sua Brigada Búlgara se ausentam para investigar a reunião do dia 27. Friedlander se posiciona por perto com um carro e equipamentos para entrar no canal de comunicação da Brigada. Stultz, Liam e a Garou Sofia entram pelos esgotos por um canal e conseguem chegar à parede que os separam do porão, onde instalam um explosivo. Nádia circula como morcego observando. O maestro sobe a torre de uma igreja na esquina com seu rifle de precisão e se prepara para observar e dar o primeiro tiro. A noite está clara e a região é bem iluminada pelos postes.

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O aviso é dado na rádio da Brigada, e em minutos um desfile militar altamente organizado é deflagrado em frente à casa do Golem. Caminhões trazem soldados da Brigada e de outros quartéis de Berlim, cercando completamente todas as vias de acesso para a casa. Um jipe traz um grupo de oficiais da SS comandado pelo Major Karl Haben, líder da sinistra 6761, comandante da operação de busca e captura de “desvios” em Berlim e homem forte da Sociedade de Thule. Haben desce aos gritos com suas tropas, e soldados explodem o portão de ferro do porão. Um caminhão altamente blindado, pintado de preto e com o símbolo da 6761, estaciona na frente da casa. Dele desce o mago Maxwell Ldescu (que havia ajudado os jogadores com a pista de Vril), as mãos presas em algemas, escoltado para Haben. Eles trocam frases, e Ldescu desce as escadas para o porão. Do túnel de esgoto, Liam ouve gritos, explosões e sinais claros de luta intensa.

O Zelote havia se preparado para este momento durante toda a sua vida, embora não soubesse. Desde seu nascimento em uma vila miserável da Palestina e sua adoção por rabinos ortodoxos, ficara trancado por anos nos porões de uma sinagoga, impedido de ver a luz do sol. Seus rigorosos mestres se alternavam em diversos treinamentos: artes marciais de todo o tipo, resistência, leitura da Torá, meditação, e mais tarde em sua vida, mágika cabalística. Sem nome ou afeto, a criatura cresceu em permanente diálogo com Deus, uma mistura de esquizofrenia e disciplina militar cuidadosamente fabricada pelos rabinos. Seu rosto duro e sem pêlos tinha a mesma expressão, sempre, e sua pele branca parecia alienígena. Enviado em um vagão fechado para Berlim aos cuidados de Simeon, o Zelote sentiu que sua missão se concluiria em breve. Cuidaria do sono do Golem, ou morreria para ativá-lo, segundo a lenda de Massada.

Bártok observa pela lente do rifle o Major Haben. O comandante era um alvo importante, responsável pela caçada implacável contra magos em Berlim, e sua morte seria um golpe contra a Sociedade de Thule. O maestro decide disparar, e a cabeça do outrora poderoso Haben explode como uma abóbora na frente de seus soldados. O tiro foi certeiro, e os soldados se abrigam caoticamente, buscando o atirador em volta. Do mesmo caminhão-forte que saiu Ldescu, um grupo de soldados fortemente blindados desce rapidamente.

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Ldescu talvez teria alguma chance contra o Zelote em sua época como poderoso Mago da Ordem de Hermes, mas isso foi há mais de 300 anos. Transformado em vampiro pelo Clã Tremere, o romeno escondeu sua identidade da Ordem durante os anos, evitando reuniões e conclaves, com o objetivo de espionar os magos para seus mestres. Sua missão em Berlim (encontrar o Golem), ganhou um aliado inesperado da Resistência, mas esbarrou na poderosa Brigada 6761. Haben o capturara para que ele matasse o Zelote, mas agora estava claro que sua Taumaturgia não era páreo para a mistura de luta e mágika do guardião. Após poucos minutos de luta, o Tremere foi trespassado pela romfaia do Zelote, partindo seu tronco ao meio.

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Seu comandante parece assumir o posto de Haben, orientando soldados a tomarem posições de abrigo. Este novo grupo usa uma armadura de aço, rostos cobertos por máscaras de gás e armas super-tecnológicas, ainda mais estranhas do que as vistas nas mãos dos agentes tecnocráticos. Bártok atira novamente na cabeça do comandante, mas sua bala resvala no aço do capacete. Após um terceiro tiro, é identificado pelos soldados na torre de igreja, e a Brigada investe furiosamente contra o maestro. Os novos soldados de elite disparam com precisão assustadora, acuando e finalmente ferindo com gravidade o sniper da Resistência. Enquanto soldados regulares correm para assaltá-lo na torre, os super-soldados voltam sua atenção para o Golem. De dentro do caminhão-forte, um deles traz uma grossa mangueira de alumínio similar à de um bombeiro, e o grupo desce as escadas para o porão.

Bártok está seriamente ferido. Suas granadas atrasam os soldados e obstruem a entrada da torre, mas sua posição está cercada. Nádia desce como um corvo para ajudá-lo e aplica-lhe os primeiros socorros. Friedlander se desloca de carro, disparando precariamente, para atrair a atenção dos soldados. O maestro usa o restante de suas energias para atirar um arpão para o prédio ao lado e fugir da torre.

No porão, o grupo de Liam, Stultz e Sofia entram em ação contra o Zelote. Vendo-se cercado e em minoria, o guardião imediatamente aciona seus últimos efeitos de defesa: Tempo para torná-lo mais rápido e Correspondência para multilocalizar-se em diferentes Zelotes pela sala. A luta segue furiosissima. Stultz usa seus poderosos efeitos vulgares de Forças para atingir o Zelote, mas com a rapidez deste, tudo o que consegue é acumular Paradoxo. A réplica que o enfrenta usa um efeito de vento e o atira para o outro lado da sala: Stultz cai desacordado, fora da luta. Liam tem sucesso melhor contra sua réplica, mas Sofia tem sua luta interrompida pela entrada súbita dos super-soldados de elite na sala. A mangueira de alumínio que trazem disparam um fluxo intenso de plasma destrutivo que queima tudo o que toca. Em segundos o salão, outrora ricamente decorado com livros, artefatos mágicos e armas medievais, está em chamas, e a fumaça torna a luta quase impossível. Sofia é ferida seriamente na perna pelo plasma e passa a se defender desesperadamente do Zelote. Liam resgata Stultz, levando-o de volta para o túnel.

O último e verdadeiro Zelote é morto em meio às chamas, e o Golem acorda para seu destino. Seu rosto se acende e se inscreve a letra hebraica do alif. Um momento de silêncio terrível se segue, em expectativa ao que acontecerá. Do fundo do salão, uma voz começa a repetir lentamente em hebraico as palavras sagradas que comandam o Golem: é Maxwell Ldescu, apenas com a parte posterior do corpo, usando o pouco de não-vida que lhe resta para trazer o Golem sob seu comando. Seu pensamento moribundo só consegue pensar em vingança contra seus captores. O Golem se ajoelha em frente a Maxwell, esperando seu comando. O Tremere sussura para o monstro: “Destrua todos esses nazistas”.

O porão explode em fúria e destruição. O Golem se levanta furioso e investe contra os super-soldados de elite, ferindo-se com o plasma mas destruindo dois com um só golpe. O telhado do lugar começa a ruir com a ataque, e Liam foge com Stultz pelos canos, levando uma klaive encontrada no chão consigo.

Do quartel-general da Brigada, Béla vê um tanque monstruoso lentamente sair do hangar. Tão alto quanto uma casa e tão grande que fechava toda a rua, o tanque começa a se deslocar para o local da briga. O maestro agora está sobre os muros do prédio em frente, derrubando soldados como patos na rua, a Brigada totalmente focada no Golem. Nádia assume a forme de névoa e se infiltra pelos tubos de respiro do tanque. O Golem leva disparos de todos os lados, mas a mangueira de plasma parece atingi-lo em especial. Pedaços de seu corpo se espalham pela rua. Bártok apela à Entropia do clima para ocasionar um intenso nevoeiro no local da luta, e a Resistência passa a atacar os soldados confusos no meio da névoa no intento de salvar o Golem.

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Enquanto isso, Nádia causa terror dentro do tanque que se aproxima. Entre os corredores apertados do monstro, ela ataca com garras os soldados e chega a matar o motorista, parando a máquina. O canhoneiro, no entanto, consegue disparar o enorme cano contra o Golem. A explosão atinge-o em cheio, despedaçando-o em centenas de pedras pelas ruas. Um sibilo agudo é ouvido, e trobões retumbam por Berlim. O Golem foi destruído, o Olho de Massada foi aberto. A Resistência foge desesperada para Grünewald, e o maestro está seriamente ferido. Há algo de estranho no ar, uma agressão generalizada que parece despertar Berlim inteira nesta madrugada fria.

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Capítulo XII: Brüttenmacht
21 de Fevereiro de 1933 – Lua Minguante

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A vitrola foi interrompida pelo jovem soldado da SA como se interrompe uma bomba relógio prestes a explodir. O hino nacional-socialista e outros chauvinismos musicais embalaram a bebedeira durante o final da tarde e as primeiras horas da noite; o silêncio que seguiu atribuiram-no à chegada dos forasteiros. Boa notícia ou má notícia: o forasteiro pode ser um vampiro suicida ou um curioso ousado, no que deveríamos destroçá-lo (boa notícia), o forasteiro pode não ser o que parece, no que deveríamos entendê-lo (má notícia). O álcool nas jovens cabeças seria um péssimo instrumento para entender, mas facilitava muito a tarefa de destroçar. A mera hipótese eriçava os pêlos nas nucas dos Ahrouns, eram 9 da noite e a lua faiscava aqueles dias de inverno no Volkspark. Entre as árvores, a forma nicterídea da Gangrel Nádia circulava em vigilância.

A visão de Liam confundia os presentes. Estava claramente marcado pelo clã, mas como diabos havia simplesmente aparecido ali na porta? Entre a maioria de jovens, um capitão, o único que entendeu logo o que aquele encontro significava. Afinal, conhecia de perto aquelas duas figuras. O pirralho, o vira em Grünewald, e sabia que tinha chamado a atenção de Otto. Aqueles que estiveram em Muggelheim diziam que pertencia ao povo-gato, e mantinham por ele um misto de curiosidade, temor e vontade de arrancar-lhe as tripas. O outro, o velhote, era um caso mais grave. Quando a tropa voltou de Muggelheim e viu em que estado estava o poderoso Rainer, o Caçador da Raça, após o combate, juraram caçar e matar o responsável por aquilo. Rainer tinha um rasgo do ombro às coxas que fora claramente feito por magia. A maioria dos Bruttenmacht, nascidos como lobos nas entranhas da Floresta Negra, conhecia os gandwere através de contos horríveis passados por gerações de Galliards. Os contos falavam de batalhas épicas entre magos de Odin e os filhos de Fenris, e o aparecimento de um gandwere na cidade era visto como sinal certo de que o Ragnarok estava próximo. Exatamente como Otto previu.

Nas árvores, Nádia percebe uma figura observando a cena. O espião percebe-se vigiado e desce para fugir. Na base da BM, o capitão deixa Liam entrar, como fora acordado pelo líder. O gandwere, pensou, deveria ser escoltado para longe, e em seguida destroçado pelos mais jovens como prova de subida de posto. Os lobos seguiam Béla Bártok de longe quando um conjunto marcado de uivos assinala a todos a presença de um intruso no parque. Os lobos correm a perseguir o espião visto por Nádia, enquanto Béla corre para o outro lado do parque.

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Liam entra na base da BM. As paredes de pedra reforçada ostentam símbolos nazistas, fotos de companheiros caídos em batalha e armas, muitas armas. Um dos cantos do aposento é um arsenal improvisado com bazucas e granadas. Uma metralhadora gigante, própria para um Crinos, é vista em repouso ameaçador. A BM certamente possui enorme poder de fogo. O clima de violência é estranhamente interrompido com um pedido de abraço de Otto Panzerfaust, líder dos Crias de Fenris, para o jovem Bastet que estava ali na sua frente. Otto pede a todos os que são postos 1 e 2 que saiam da sala, e que os postos 3 investiguem o invasor. Na sala restam apenas ele, Liam e um homem primitivo, de cabelos e barbas longas, o único da BM a não usar um uniforme da SA. Otto apresenta-o como Udin, o Theurge do grupo.

“O que você acha que devemos fazer em relação ao Homem, Liam?”

O jovem Ceilican pondera por um instante e responde: “Conviver com ele.”

“Exato, meu caro. Só há duas alternativas em relação ao Homem: destruí-lo ou administrá-lo. Nós tentamos destruí-lo, e isso foi um erro. Nós certamente jamais nos subteremos a ele, como Campeões de Gaia que somos. A Wyrm se apodera deles com extrema facilidade, e deixá-los no poder abrirá todo tipo de influência sinistra sobre o planeta. Diga-me, você nasceu como um animal ou como um homem, Liam?”

O escocês, naturalmente avesso a dar informações, replica: “Por que não me diz primeiro?”

“Ah sim. Eu nasci como homem.”

“Pois eu nasci nas matas.”

“Que é o nosso verdadeiro lugar! Que o homem permaneça em suas cidades e que suas cidades sejam as mais verdes possíveis, mas que as matas sejam para sempre nossas! É somente isso o que pedimos, Liam. O último século foi desastroso para os lobos da Alemanha, e os nacional-socialistas desde cedo ofereceram a possibilidade de defender nossos lobos. Neste exato momento há leis tramitando que punem a morte de um lobo como se fosse a morte de um homem, você sabia disso, Liam? O Reino do Lobo, o Wolfsreich, está se iniciando na Alemanha! Será uma revolução, a mais importante delas, e está apenas começando! Estamos reunindo forças para derrubar Hitler, Liam. Trata-se de um político habilidoso e um oportunista, mas o momento de retirá-lo de cena está chegando. Temos um parente dos Crias, Ernst Röhm, ele liderará o movimento dos homens enquanto nós atacamos no coração do monstro. Estamos tirando esses jovens da miséria e integrando eles na SA ao lado de parentes Crias, eles crescem respeitando o Lobo, as matas e o legado de Gaia! Na Floresta Negra temos hoje o maior caern da Europa, e nossa população por lá não pára de crescer. Imagine a Europa toda transformada em um grande caern!”

“Udin aqui previu sua chegada, Liam. Disse-me que um felino faria a ponte entre os filhos do Leão e seu lar na Alemanha, Grünewald. Assim, lhe entrego esta tarefa. Você deve levar isto para Frau Anna, no caern de Grünewald.”

Liam abre a caixinha. Dentro dela, um pêlo da juba do Leão, o totem de Grünewald. Otto leva Liam aos fundos, onde o felino pode demarcar de fato a existência de um Portal de Thule sob o parque. A Resistência finalmente é capaz de encontrar o Golem.

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Capítulo XI: A Presença

“Você sabe que não deve nada a Otto, Heinrich”. O silêncio quebrado pela frase rugia como um farfalhar de inverno – um piscar de olhos azuis e Heinrich Caça-Ratos, guardião do caern de Grünewald, desperta de sua letargia e olha para quem a proferiu: Anton, o último dos Nordeskald, cujo rosto marcado por cicatrizes surge das árvores para ser dourado pelo fogo da clareira.

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A meio quilômetro dali, uma jovem tropeça pelas raízes das árvores do caern. Seu rosto contorcido por uma gargalhada seca e inaudível parece assustar os arbustos à sua frente, sua marcha trôpega denota a pressa de quem cumpre sua última missão. De longe, Otto Panzerfaust, mestre por costume e direito do caern de Grünewald, observa espantado.

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“Tampouco devo a você, Nordeskald. É um absurdo que sua presença seja tolerada neste caern, mas a de Otto não. Se eu não tivesse que cumprir as determinações de Frau Anna…” Nordeskald interrompeu, tempestuoso. “Se você cumpre as determinações de Frau Anna, porque continua deixando Otto entrar no caern?” Um bando de pássaros voou barulhento na árvore ao lado, amedrontados pela Fúria crescente na clareira. Heinrich imediatamente transformou-se em Glabro. “Você sabe, Anton, como eu ganhei esse apelido, Caça-Ratos?”

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A jovem alcançou a clareira indicada por seu mestre. Havia entrado no parque como uma jovem na plenitude de sua vitalidade; agora que se aproximava do final de sua missão, parecia uma velha gasta pelo tempo e sofrimento. Os esquilos que se alimentavam do resto de comida deixada do jantar (gentilmente oferecido, como em todas as noites, pelos membros do caern) correram desesperados ao avistar aquela figura grotesca. Puxou as mãos do manto grosso que usava, olhou para as mãos ora mortificadas e entoou um canto baixo, enquanto se dirigia lentamente para o lugar onde dormia Béla Bártok.

Bártok acordou no quarto de sua antiga casa na Hungria. As fotos de casamento e das crianças, o cobertor usado para dormir: tudo estava ali. Como nos tempos de outrora, acordou e foi direto ao piano. A partitura no instrumento mostrava um concerto de cordas que o maestro jamais ouvira, embora ao lê-la as notas soassem como se tivessem sempre existido; no canto, o ano de 1935.

https://www.youtube.com/watch?v=srz8p10XawE

Desceu a escada. O sol da manhã invadia a sala, que servia de quarto para um enorme cão negro; Béla instintivamente sentiu ser Nádia. A Gangrel se dirigiu a um canto da sala e transformou-se novamente em humana, confusa por estar naquela situação. “O que você está fazendo no meu sonho?” Béla perguntou. Da cozinha, uma figura sóbria e encapada surge com uma bandeja de café na mão: é Julius Évola, o vampiro ancião que havia se interessado por Béla anteriormente.

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_“Eu sei muito bem, Heinrich. Você matou aquela matilha inteira de Roedores russos infestados pela Wyrm em 1915. E ainda assim você me julga por ter matado aqueles Crias infestados após a Grande Guerra.”

“Eu cumpri a determinação dos anciões da Floresta Negra; você, ao contrário, agiu à revelia e jamais levou a julgamento seus caçados.”

“E como diabos os velhos lobos da Floresta Negra iriam aceitar que seus próprios primos fossem caçados por um Nordeskald como eu? Isto não era possível, Heinrich.”

Heinrich, ainda em glabro, mesmo assim parecia mais calmo. Se não estivesse focado naquele raro diálogo com a lenda negra Anton Nordeskald, teria feito seu papel de Guardião e sentido a invasão do caern por uma bruxa infestada pela Wyrm…_

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Béla permanecia confuso, e Nádia mais ainda. Seria um sonho do maestro ou da Gangrel, ou algo ainda mais terrível? Julius ofereceu o café para ambos; sangue verteu do bule na xícara de Nádia. “Gosto de fazer estas visitas noturnas a pessoas que despertam meu interesse. Agora entendo que você não é um mero maestro mortal, Béla. Também não esperava vê-la por aqui, minha jovem” disse o vampiro, dirigindo-se a Nádia. O maestro estava incomodado: com a visita não anunciada, com a memória vívida de sua antiga casa, com a sugestão de que Julius Évola poderia conhecer seus segredos dentro de sua própria mente. “Para mim é bastante fácil realizar estas visitas, basta que a pessoa ouça a minha voz. Eu me entedio rapidamente porém, e este foi um dos motivos de eu ter passado os últimos séculos em repouso. Mas as pessoas de hoje, especialmente aqui na Alemanha, elas são tão fascinantes! E os avanços tecnológicos! Imagine, Béla, quantas mentes eu poderia visitar com o advento do rádio?”

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“Eu sei, todos sabemos, Anton. Seu antepassado desgraçou a tribo dos Crias quando invadiu a Irlanda, seu sobrenome para sempre atormentará sua própria honra. Mas você não é Siegfried mas Anton Nordeskald, orgulho dos variagues, e poderia ter feito as escolhas corretas para resgatar o seu nome perante os Crias.”

“E você é apenas um moleque insolente, Caça-Ratos! Você nunca esteve no Heimhalla a sentir o Grande Fenris entrar no corpo de todos os Crias! Você não sabe sequer a linguagem secreta da aurora boreal, vocês alemães e suas indústrias e suas cidades e seu maldito orgulho! Vocês se renderam ao espírito romano de território e conquista, e caberá aos Lobos do Norte, como sempre, ensinar-lhes de novo a caminhar sob as estrelas!” Nordeskald encarou Heinrich nos olhos. Os dois permaneceram ali, desafiando-se em silenciosa meditação, por horas.

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Uma multidão rapidamente tomou as ruas na frente da casa de Béla. Julius comentou tranquilo, entre um gole e outro de café: “Conheci um amigo seu agora a pouco, um senhor bastante agradável. Chamava-se Edgar Allan Poe. Ele me disse que seu destino lhe esperava do lado de fora. Não sei exatamente o que está acontecendo, mas parece importante.”

Béla e Nádia partiram para seguir a multidão. Um sol brilhante no céu carregava o signo do Olho de Massada, que atormentava o maestro com uma profunda sensação de angústia e catástrofe iminente. Nas ruas, a multidão de cidadãos de todo o tipo se dirigia caminhando a passos rápidos na mesma direção; os dois os seguiram.

Em uma praça grande no centro de Berlim, uma operação militar havia sido montada. Soldados com metralhadoras sobre os caminhões vigiavam as filas, que eram ordenadas por funcionários da SS e médicos de jaleco branco. Um deles era Edgar Allan Poe, o avatar iluminado de Béla Bártok. Ele estava extasiado: “Que maravilhoso encontrá-lo Béla! O nosso dia chegou, o Olho está aberto! A Ascensão está muito próxima! Lutamos tanto por isso, e agora finalmente todos os seres humanos poderão tornar-se magos novamente. O Olho está selecionando os que não tem mais possibilidade de iluminação nesta fila; naquela outra estão os senhores do amanhã, os futuros magos da humanidade! Você certamente está incluído Béla…” O maestro interrompe. A operação na praça tinha todos os indícios de uma farsa grotesca, e o rosto hipnotizado das pessoas selecionadas para morrer sugeria um feitiço terrível em execução. Instado a participar daquele espetáculo macabro, Béla Bártok se vira contra a multidão e parte do lugar, sendo observado por guardas hostis. Quando a hostilidade se transforma em uma perseguição com tiros, ele se vê obrigado a correr contra a massa, esbarrando e derrubando dezenas de pessoas. Nádia fica pra trás, sobrepujada pela multidão, e Béla volta para pegá-la. Mas a Gangrel se transforma em morcego para fugir do caos, e Béla se vê cercado por guardas armados. O ruído dos tiros é como uma avalanche de gritos, e o peito do maestro é explodido por balas de fuzil; Béla sente novamente, e com profunda realidade, a mordida de chumbo da morte. A experiência é excruciante, mas iluminadora: os fios de Entropia que o prendem nesta esfera são para o maestro uma maldição e um refúgio, sua percepção cada vez mais iluminada dos eventos em Berlim lhe traz delírio e fortuna. De longe, seu avatar se inflama como uma fogueira azul e regozija em ver o mago Vazio ser alvejado pelos guardas. É preciso morrer para iluminar-se.

Otto sabia que aquilo não ia bem. Sentia uma indelével presença da Wyrm naquela mulher, e embora não tivesse nenhuma simpatia por aquele mago maldito que fuzilou seu camarada no bosque de Muggelheim, era SEU caern a ser violado por uma criatura das trevas. No entanto, se atacasse, seria flagrado invadindo Grünewald e rompendo o pacto de não agressão que mantivera até agora; também estaria colocando em problemas seu amigo Heinrich, o guardião. Felizmente, o grito do maestro acordou Liam, e Otto pode mais uma vez observar o Bastet em ação.

Liam levanta em um salto e, ainda em sua forma felina, pula sobre o pescoço da bruxa, prendendo-a com suas fortes garras. A mulher reage com suas próprias unhas afiadas, mas não consegue atingir Liam. O Bastet prende a garganta da bruxa como um leopardo caçando, enquanto Béla acorda de seu delírio e tenta observar a mente da criatura. Ele visualiza um círculo metálico recheado de nomes e circundado por um grupo de mulheres que entoa um canto sinistro. Béla procura memorizar o canto e tenta se comunicar com a bruxa, mas assim que Liam solta sua garganta, ela começa a emitir um grito alto e agudo, inumano. Anton e Heinrich ouvem o silvo da Wyrm e interrompem seu desafio para verificar a fonte.

O sangue negro da bruxa polui o solo do caern. O testemunho das árvores e dos espíritos do bosque observa que, mais uma vez, o Bastet Liam McLeod enfrentou uma criatura da Wyrm em Grünewald. Enquanto os garou, seus guardiões por força e direito, brigam entre si em inúteis conflitos tribais, um estrangeiro teve que intervir novamente. Do ar frio berlinense se materializa o Totem, o mais nobre dos espíritos habitantes do caern, que há anos não aparecia por lá. Trata-se do Leão Cinzento, o espírito antiquíssimo dos extintos leões europeus, cuja presença rara na Terra acusa uma majestade ameaçada, um Rei solitário e entristecido. Sua voz de semideus entristece as folhas do caern, que caem das copas a cada frase dita pelo Totem:

“Você não é mais um filhote, Liam. Sua atuação aqui tem sido observada, Gaia está contente com seu papel. Esta criatura que trazia consigo a corrupção e o delírio representa as forças malignas que tem assediado Grünewald. Meus filhos estão em guerra e enquanto estiver assim, eu não voltarei ao caern. Mas acompanharei você se você permitir; sinto que sua presença responde a uma necessidade ainda maior e mais misteriosa de Gaia. Otto é um garou digno e é meu filho, mas não intervirei na política mesquinha dos garous. É irônico, você, um Bastet de uma tribo extinta, você é quem trará o equilíbrio de volta para os garous, Liam. No entanto, devo avisá-lo que esta enorme responsabilidade lhe trará muita glória e honra, mas também será seu fim. Quando Grünewald estiver novamente reunida você estará morto, Liam. É preciso que você encare este destino que Gaia lhe reservou.”

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Enobrecido e assustado com o encontro, Liam presta seu tributo à figura legendária. Nunca tinha visto um espírito tão magnífico e nobre; espantado com a presença e com o reconhecimento do Leão, decide adotá-lo como seu totem pessoal.

Anton e Heinrich chegam para encontrar a bruxa já morta. Sua última manobra é conhecida de agentes da Wyrm: vomitar besouros venenosos que se espalham pelo lugar e atormentam os atacantes. Heinrich está envergonhado com a violação do caern; Anton sugere que o corpo da bruxa deve ser enterrado do lado de fora e que Frau Anna não fique sabendo do ocorrido. A esta altura, Otto está longe, e ignora que foi visto por Liam durante o ataque. Nádia chega voando: durante o delírio, estava hipnotizada voando como morcego por Berlim.

Na manhã seguinte, o Professor Stultz chega ao local onde está o grupo. Béla, ainda atormentado pelo delírio da noite passada, comenta o ocorrido com o velho mago hermético. O maestro está raivoso: seu grupo tem sido carrasco e vítima dos nazistas de Berlim, manipulado pela Resistência de Stultz, achincalhado pela arrogância do mago hermético e sua postura militar. Tendo horror a disciplina bélica e a hierarquia, Béla deixa claro que não será um joguete nas mãos da Resistência. Stultz está surpreendentemente calmo: “E o que você sugere, maestro?”

A Resistência recapitula sua posição no conflito. O Olho de Massada, se não abriu, está prestes a ser aberto. O Golem é a peça chave do feitiço, e o último componente que ainda não está na mão dos nazistas. Stultz não hesita mais em buscar o Golem: sabe que, de posse da localização da Trilha de Thule, será capaz de encontrar não só o Golem, mas o Pólo Central, base secreta da Sociedade de Thule onde, em uma semana, ocorrerá o encontro da organização que deve selar a aliança entre a cabala nazista e o Príncipe vampírico da cidade.

O grupo decide voltar ao Consulado da Bulgária para checar documentos importantes que foram deixados lá durante a fuga. O local se encontra da mesma maneira como foi deixado, e o grupo retoma o Espelho de Belisarius e um número de livros mágikos. Na caixa de correio, uma carta chegou para Béla: trata-se da resposta de Maxwell Ldescu para a carta que havia sido enviada pelo maestro há alguns dias. Maxwell está em Berlim e gostaria de encontrá-lo.

A noite chega e o grupo vai para um velho hotel no centro da cidade onde está Ldescu. Apesar da idade centenária, aparenta ser um jovem e belo playboy austríaco, cabelo e roupas impecáveis. Ele está empolgado em encontrar o grupo, mas entristecido com a morte de seu grande amigo, o rabino Simeon Bergman. Maxwell dá detalhes sobre o Olho de Massada: para que seja realizado, o Golem deve ser destruído, e não terminado. Na realidade, é provável que Simeon o tenha terminado, mas nunca o tenha ativado. Diz também que a criatura é guardada por um Zelote, um mago hermético treinado em isolamento desde o nascimento para defender com sua vida o Golem. O Zelote é incapaz de negociar ou mesmo debater: criado para ser um guerreiro fanático, seu único objetivo é destruir quem descobre o Golem.

Na saída, Maxwell oferece uma ajuda inesperada aos jogadores: a Trilha de Vril, cuja junção com a Trilha de Thule indicará o local do Golem. Tratava-se de um segredo hermético que Maxwell oferece em troca de uma pequena condição: quer participar da caçada ao Golem e resolver este mistério em nome de seu falecido amigo Simeon. De volta à base da Resistência, Stultz está extremamente desconfiado com Maxwell. Diz que o antigo mago desapareceu dos registros da Ordem há quase um século, o que é bastante estranho. Béla diz que não se encontrou com Maxwell, mas o Espelho de Belisarius o acusa. Stultz sustenta sua desconfiança mas decide não intervir após ter em mãos a Trilha de Vril.

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O próximo passo da Resistência é encontrar a Trilha de Thule. Um dos seus pólos está na casa de Julius; o outro, em algum lugar do Volkspark, a base da milícia da SA conhecida como “Força-Bruta”. É para lá que os jogadores se dirigem.

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Capítulo X: Um lar em Grünewald?
Berlim, 18/02/1933

Ao voltarem da Mansão Évola, Liam, Béla e Nádia encontram o Consulado da Bulgária cercado por carros estranhos cheios de homens com chapéu. Observando cuidadosamente, eles conseguem ver antenas e aparatos dentro dos carros, bastante similar aos carros da Tecnocracia que eles viram em Muggelheim. Enquanto Béla o cobre com um rifle de longo alcance, Liam infiltra o Consulado e alerta seus habitantes: Stultz, a Brigada Búlgara e o prisioneiro Friedlander. Está na hora de abandonar a base, e todos pegam o que podem para fugir pela porta dos fundos.

O grupo chega a um hotel para discutir os próximos passos da Resistência. Stultz está satisfeito com a missão na Mansão Évola, mas sua prioridade ainda é o encontro da Sociedade de Thule no dia 27/02. O grupo trouxe uma pista importante para isso: os documentos e a fala de Évola que indicam que o encontro será em um tal Portal Central, presumivelmente uma base para a Sociedade em Berlim. Tal Portal se encontra sobre a Trilha de Thule, uma das diversas linhas míticas que atravessam o planeta como canais mágikos. Berlim é atravessada por duas destas linhas: a de Thule, que segundo Stultz passaria “perto da Universidade”, e a de Trilha de Vril, mais obscura e desconhecida. Simeon mencionou “Vril” antes de morrer, assim como Thule e Mitte, o bairro onde está o Golem. Stultz presume que o Golem, criatura que exige enorme esforço mágiko para se constituir, esteja no cruzamento entre a Trilha de Thule e a Trilha de Vril, no bairro de Mitte. Encontrar os marcos destas trilhas é essencial para a Resistência. Um dos marcos de Thule está assegurado: trata-se da própria casa de Julius Évola, às margens do rio Spree. Seus documentos mencionam outros lugares sobre a trilha: uma fábrica, o Portal Central, o Volkspark. Encontrando o lugar exato do Portal de Thule nestes lugares, será possível traçar uma linha entre a casa de Évola e este lugar, descobrindo a Trilha de Thule.

No entanto, existe outra urgência: encontrar uma nova base para a Resistência. O último lugar seguro de Berlim nestas circunstâncias permanece sendo o caern de Grünewald, no bosque a oeste de Berlim. Stultz, apesar de ser uma figura polêmica entre os garou, tem boa relação com Frau Ana, a matriarca do caern. Sofia também possui uma óbvia vantagem, por ser Garou. No entanto, a Resistência cresceu e o caern já se encontra lotado com refugiados de Berlim, a maioria Parentes garou. E os donos do caern jamais admitiriam um prisioneiro humano (Friedlander) abrigado no solo sagrado. O grupo se divide: Stultz, Sofia e os jogadores irão para o Parque, enquanto o resto da Brigada Búlgara (Dimitrov e seus 4 soldados) ficará com Friedlander no hotel.

Enquanto isso, o garou Jean-Luc, da tribo dos Andarilhos do Asfalto, segue para Grünewald para se apresentar oficialmente ao caern da cidade, como é de praxe para os recém-chegados. Vindo da França, Jean-Luc é recebido por Selim Olhos Velhos na entrada do Parque. Selim explica a ele a situação em Berlim e afirma que o caern agora está em Conclave.

Os jogadores chegam a Grünewald. No centro do caern há uma tensa reunião entre os garous. Um dos membros mais velhos, o poderoso Cria de Fenris Anton Nordeskald, acusa Grünewald de permanecer inerte enquanto grupos como a Sociedade de Thule despertam forças terríveis pela cidade. Outros garou, incluindo Heinrich Caça-Ratos, defendem a manutenção da neutralidade do caern. A Matriarca Anna lembra a todos que o propósito atual de Grünewald é exatamente ser um refúgio em meio à tempestade:

“Após a Primeira Guerra, os Crias de Fenris, senhores incontestes dos caerns alemães, se viram mergulhados em uma tensa guerra civil. Sua origem estava nos últimos meses antes do armistício, quando diversos Crias alemães foram caçados e mortos por uma matilha misteriosa de lobisomens vindos da Rússia. Após a paz em 1918, Anton Nordeskald, o maior dos descendentes dos garou variagues (vikings russos), apareceu perante um Conclave em Grünewald com as cabeças dos garou mortos: era ele quem liderava a matilha. Apresentou um extenso relatório dos crimes cometidos por aqueles Crias, denunciando sua traição perante Gaia. Embora hoje saibamos que o venerável Anton estava certo, os antigos anciões de Grünewald não o acreditaram e condenaram toda a matilha de Nordeskald à morte. Teve início, aqui mesmo neste centro sagrado do caern, uma batalha fratricida que durou dois dias e duas noites. Nordeskald lutou bravamente contra os anciões, muitos dos quais pertenciam às mesmas linhagens que os garou mortos pela matilha de Anton. Ao final do conflito, seis irmãos garou jaziam mortos: os quatro companheiros da matilha de Anton e dois anciões, incluindo o Patriarca do caern. Muitos outros estavam feridos, incluindo Nordeskald. Como sabemos, ao ver aquela matança, o totem do caern de Grünewald nos deixou, estando desaparecido até hoje.

A tradição dos Fenris ditava que o novo líder de Grünewald deveria ser o Ahroun Alpha do caern: o jovem guardião do caern Otto. Como auto-punição por sua Fúria, Nordeskald permaneceu durante anos na Umbra do caern, buscando o antigo totem e entrando em paz com os garou que matou. Otto reinou absoluto nos anos seguintes, atraindo os garou de toda a região com sua eloqüência e sagacidade. Na última década, se envolveu com um parente dos Crias chamado Ernst Röhm e integrou sua milícia de revolucionários. Seu mote é a unificação de todos os garou alemães sob sua liderança para colocar um Parente no poder, ganhando a influência necessária para se instaurar uma nova Era do Lobo, uma espécie de Impergium moderno.

Temendo uma nova matança, o Conclave dos Presas de Prata em 1929 condenou Otto a perder o título de líder de Grünewald por meter-se em assuntos humanos e enviou-me como matriarca para manter a neutralidade do caern se uma nova guerra civil começar. Nordeskald voltou da Umbra para me ajudar, e Otto concordou em mover sua grande matilha para o Volkspark. A paz instaurada é frágil mas precisamos…”

Anna é interrompida. Um grupo de 3 oficiais da SA surge na reunião, ostentando no uniforme a marca oficial da Brüttenmacht. Trata-se de Otto Panzerfaust e dois de seus companheiros; eles vieram em paz para checar a presença de inimigos dos garou dentro do caern. Se Grünewald estiver abrigando inimigos, o pacto de neutralidade seria quebrado e uma nova guerra começaria. Ele percebe Liam, ainda sob o efeito do uivo sinistro que o denuncia, e o novato Jean-Luc e exige uma conversa a sós com eles. Jean-Luc se recusa a ir, mas Liam segue escoltado por Anna.

Otto gostaria de conhecer aquele que era seu principal inimigo. Cumprimentam-se, e o garou expressa admiração pela maneira com que Liam luta. Ele ressalta que o nazismo é, para ele, uma enorme revolução contra a elite decadente alemã, e quer ver Hitler fora do poder em breve. Um dos Parentes dos Crias seria um homem mais honrado do que Hitler: trata-se de Ernst Röhm, líder das SA. Com ele, teria início uma nova era de liberdade para os garou, que não precisariam mais temer a humanidade infestada pela Wyrm. Otto convida Liam para o Volkspark e promete que ninguém irá machucá-lo. Ele parece interessado no Bastet, talvez para que integre sua Força Bruta?

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Capítulo IX: O Vampiro de Treptow
Berlim, 17/02/1936

17 de Fevereiro de 1933. Volta a nevar em Berlim. O grupo segue para Muggelheim para encontrar Tyrderon, que tem a pista mais forte sobre onde está o corpo de Simeon e a chave para encontrar o Golem. No bosque, ele conversa tranqüilamente em uma língua bizarra com uma estranha figura: um velho barqueiro vestido com trapos e um chapéu longo que lhe cobre a cara. Aparentemente um espírito antigo do bosque, ele está sobre um grande barco de pesca no rio Spree e oferece levar o grupo até a mansão de Julius Évola, vampiro ancião que está com o corpo de Simeon. Tyrderon, que sentiu a presença de Simeon na casa, fez contato com o vampiro, que se mostrou fascinado com a criatura. Segundo Tyrderon, Julius dormiu durante algumas centenas de anos sob a mansão e voltou a despertar recentemente, extasiado com as mudanças tecnológicas e culturais do mundo moderno. Ao comentar sobre seu amigo maestro, Évola se mostra bastante interessado em chamá-lo para uma de suas festas em sua mansão.

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Évola vive em uma velha mansão às margens do rio Spree. A casa de pedra é cercada por um extenso gramado e possui uma torre alta. Ao chegar, a Resistência percebe que as janelas estão iluminadas, há carros estacionados e pessoas parecem freqüentar a casa.

Do lado de fora, o Gangrel Mathias vigia a casa de Évola. Ex-militar, ele segue o conselho de seu antigo general Hammerstein e decide investigar a ligação sombria entre a Camarilla de Berlim e os nazistas. Sua missão é descobrir o clã de Évola. Após observar a aproximação do barco levando os outros jogadores, ele se apresenta na entrada da mansão e mostra um documento dizendo que está sob ordens do Justicar. Julius o recebe com completo desprezo e o faz esperar na ante-sala, guardada por 4 soldados da Brigada 6761 da SS.

Os outros jogadores se apresentam em seguida: o maestro Béla Bártok, que é recebido com enorme entusiasmo pelo anfitrião, sua parceira Nádia e um felpudo gato em seu colo (Liam em sua forma felina). Ainda na ante-sala, uma estranha pintura: Julius Évola, com roupa de época, de pé entre uma matilha de grandes lobos brancos.

Todos são levados ao salão central. A sensação causada do lado externo (a de que o lugar estaria repleto de pessoas) contradiz a realidade do lugar: há apenas dois outros convidados para a “festa” particular de Julius. O lugar é ricamente decorado e possui como destaque um grande piano de cauda, estranhamente reluzente entre as sombras bruxuleantes da sala pouco iluminada. Um forte cheiro de ópio é causado por uma jovem mulher chamada Martha, que bafora de um naguilé sobre um mar de almofadas em um dos cantos. O outro convidado chama-se Johann, e permanece impacientemente sentado sobre uma cadeira em outro canto.

Animado com a presença ilustre, Évola exalta o “amigo” Tyrderon e oferece bebidas aos jogadores. Ao chamar o mordomo, uma surpresa terrível: trata-se de Nichola, desaparecido desde o ataque à Universidade e desde então assombrado por uma força misteriosa. Vestido de mordomo, ele tem os olhos perdidos e obedece cegamente à Évola, não reconhecendo mais ninguém.

Liam parte para explorar a mansão. Atravessando os corredores como felino, ele passa pelos quartos de empregados e chega à cozinha, onde descobre um elevador secreto atrás da dispensa. Ele sobe, chegando na torre da mansão. Lá, encontra Mario Bartolini (o padre morto no ataque à Universidade), mutilado e em estado cadavérico, tubos de metal a lhe sairem do corpo, se debatendo de forma animalesca. Sobre a mesa, diversas anotações médicas. Liam decide acabar com seu sofrimento e o mata após um breve ritual, levando as anotações consigo.

No salão, Julius prepara um brinde e está ansioso para ouvir o grande Béla Bártok tocar seu piano. O instrumento ressoa uma energia sombria, como se fosse mágiko. Nádia furtivamente troca o copo do anfitrião com um contendo seu sangue. Todos brindam e Julius bebe de um gole só o copo. Béla se senta ao piano e começa a tocar sua Cantata Profana, composta em 1930. O salão é então tomado por uma energia nefasta, e as luzes se tornam ainda mais escuras, revelando longas sombras nas paredes. As sombras parecem tomar vida e revelam-se aparições fantasmagóricas de pessoas bem-vestidas, ouvindo atentamente ao piano tocar. O salão se mostra repleto de dezenas de pessoas. Béla entra em transe e vê seu Avatar na forma de um corvo sobre o piano. Ao longo de uma ponte de aço sobre o Infinito, ele vê o espírito de Simeon dependurado, tentando em vão voltar para o alto. Béla tenta salvá-lo, mas não consegue e ele cai no abismo.
Nádia aproveita a distração e, refugiada em um banheiro, se transforma em névoa com seu dom de Animalismo. Ela circula pela casa e encontra o fosso do elevador para onde Liam foi. O felino agora desce com o elevador para o subterrâneo da casa. Lá, encontra um gigantesco salão de pedra adornado com inscrições. Em uma das paredes há um enorme Olho de Massada pintado, e na outra, uma estátua em mármore branco de Otto I, o primeiro rei da Alemanha. Liam entra em uma de duas portas e chega a um corredor bem-iluminado, semelhante a um hospital. Ele se evade de um cientista que trabalhava no local e vê uma espécie de necrotério vazio, repleto de macas, instrumentos de autópsia e estranhos tubos que se ligam em aparelhos nunca vistos. Nádia o acompanha como névoa.
Julius Évola está inebriado com Béla e leva-o até seu estúdio do outro lado da casa para que conheça outro instrumento musical mágiko, um violino. Enquanto toca, o maestro é hipnotizado e mordido pelo vampiro, sentindo uma dor excruciante durante o processo; no entanto, imediatamente se esquece do que houve. Ainda meio letárgico, Béla é levado por Julius a conhecer o salão de Thule no sub-solo: o vampiro, encantado com sua presença, convida-o para a Sociedade de Thule. Évola diz que levará o assunto para o próximo encontro da Sociedade (o mesmo que Stultz quer atacar). Diz também que existem diversos salões de Thule como aquele espalhados por Berlim. São portais, por ora fechados, para o misterioso continente de Thule. Os dois voltam para o salão, onde Béla é deixado conversando com Martha.

No sub-solo, Liam e Nádia investigam a outra porta. Esta serve uma câmara grande encrustada na pedra como uma caverna, onde no centro repousa um único cadáver atravessado por tubos: o Rabino Simeon Bergman. Os dois ativam a máquina que liga o cadáver, que começa a se debater. O rabino consegue apenas murmurar quatro palavras: Golem, Mitte, Thule, Vril. Os jogadores decidem acabar com o sofrimento de Simeon cortando os cabos que o aprisionam. O espírito de Simeon finalmente descansa. O cientista da outra sala surpreende os jogadores. Ele tenta fugir e é perseguido, atacando Liam com uma seringa que o acerta apenas de raspão. É finalmente morto pelos jogadores.
No salão, Béla fuma do ópio de Martha. Seu sinistro transe regado à Entropia volta a acontecer: o maestro sente claramente a casa ser invadida por guerrilheiros comunistas. Ele luta contra os soldados, buscando refugiar-se no banheiro, mas é atravessado por balas de uma metralhadora. Acorda aos berros no salão, sozinho, as luzes ainda mais apagadas. Os criados o acompanham até a saída, dizendo que Julius foi descansar.

A Resistência sai da casa de Évola, deixando um cadáver no sub-solo e a mente do maestro bastante conturbada. Béla Bártok se encontra em um denso processo de Iluminação.

Na volta para o barco, o misterioso barqueiro diz que Tyrderon deixou correndo o local, visivelmente perturbado.

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Capítulo VIII: O General da Resistência
Berlim, 15/02/1933

“O arquimago Bellisarius, da Capela Central de Doissetep, ordenou que eu organizasse a resistência à Sociedade de Thule em Berlim. Contra as inúmeras forças que se levantam contra nós, nosso regimento será militar. Todos os membros da Resistência devem obedecer o líder.”

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Fritz Stultz volta para organizar a Resistência

Com estas palavras iniciou-se a primeira reunião da Resistência em Berlim tendo Fritz Stultz, mago hermético da Casa de Tytalus, como seu general indicado. Os outros membros são a chamada Brigada Búlgara, uma cabala de magos igualmente herméticos recém-chegada da luta contra os nazistas no Leste Europeu. Eles são: Nicolai Dimitrov, líder do bando, Ulya, Mika, Sasha e Bogdar. Também compõe o grupo a garou Sofia, atualmente se recuperando no caern de Grünewald. Enquanto a Brigada é apresentada Stultz realiza um ritual hermético que cria o famoso Espelho de Belisarius, capaz de guardar tudo que é dito e buscar a verdade em seguida.

Uma das pautas da reunião é o que fazer com Sir Thomas Friedlander e Tyrderon, resgatados na noite anterior em Muggelheim. O arquimago ordenou a prisão e isolamento de Tyrderon para observação e que um julgamento fosse organizado para Friedlander, o Tecnocrata. Como não é possível o envio de magos para presidir o julgamento, Stultz terá a palavra final sobre o que deve acontecer com Friedlander.

Outro assunto discutido na reunião é o que fazer nos próximos passos da Resistência. Stultz é pragmático: o objetivo da resistência é primeiro destruir a Sociedade de Thule, o braço místico do nazismo que parece ter uma agenda própria em relação ao regime. Em seguida Hitler poderá ser assassinado; este é o objetivo principal da Brigada Búlgara. Este objetivo está distante, pois pouco se sabe sobre a liderança da Sociedade além de alguns operativos como Karl Haben. Sabe-se porém, que a Sociedade promoverá um encontro entre a Camarilla de Berlim (os vampiros organizados sob o Príncipe Gustav Breidenstein) e os líderes secretos de Thule em 10 dias, em lugar ainda desconhecido. A prioridade para Stultz é rastrear este encontro e realizar um ataque decisivo usando toda a ajuda possível, incluindo a Brigada Búlgara, os jogadores, e quaisquer garou ou vampiros que queiram ajudar. Para isso é preciso abandonar imediatamente esta caçada “insana” atrás do Golem; Stultz acredita que o Olho de Massada é apenas um boato e duvida que o Golem esteja terminado com Simeon, o único que conhecia sua fórmula, morto.

Béla Bártok se irrita com o novo líder da Resistência. Indignado com a decisão de Stultz de controlar o destino de seus protegidos (Friedlander e Tyrderon), o maestro ameaça deixar a Resistência e o Consulado. Liam ressalta que é preciso reunir mais informações antes de qualquer ação, e apresenta informações que parecem subscrever a idéia de que o Olho de Massada é real. Stultz, querendo ganhar a confiança dos rebeldes, revela então os supostos ingredientes para o Olho de Massada:

- Anel de Cádiz
Artefato sefardi roubado pelos Ravnos durante a Inquisição. Este anel já se encontrava nas mãos da Sociedade de Thule antes, obtido possivelmente após o aprisionamento em massa dos ciganos na Alemanha. Apenas os vampiros Ravnos conhecem o poder do anel.
- Pergaminho de al-Amin
Escrito na antiga língua enochiana, deve ser lido em voz alta para que o Golem seja acordado. É comum que mestres herméticos o conheçam de cor. Obtido por Hans Schmidt na Turquia e oferecido à Sociedade de Thule em troca de sua entrada.
- O Golem
Figura legendária do judaísmo, trata-se de um gigante de pedra construído para servir a um rabino. Simeon era o único rabino que se sabe a conhecer sua fórmula, e iniciou sua construção secretamente quando a violência anti-semita em Berlim aumentou. O Golem é sempre guardado por um Selo Salomônico que precisa ser destruído antes de ativá-lo.
- “Furor”
A lenda de Massada diz que devem ser oferecidos em sacrifício “os 16 membros da comunidade intocados pelo livre arbítrio”. Historicamente foram usados doentes mentais para o sacrifício, e há relatos que o número cabalístico em questão (dezesseis) refere-se à potência do feitiço, podendo ser aumentado ou diminuído, sempre à razão de 16.

Stultz também aceita que os jogadores visitem Tyrderon no porão do Consulado. Mas a criatura se encontra em estado deplorável, mortificado em sua forma felina, seus pêlos mais antigos do que a Humanidade caindo pelo chão. Friedlander se expressa pela primeira vez aos berros, dizendo que seu filho morrerá se mantido naquele porão frio. A Tecnocracia o envenenou para capturá-lo em Muggelheim, e somente um local ensolarado e com água corrente pode salvá-lo. Como seu mandato inclui a proteção de Tyrderon para posterior investigação, Stultz concorda em deixar que os jogadores levem o felino até o parque de Grünewald, onde também devem buscar Sofia.

Liam e Béla saem com Tyrderon escoltados por Nicolai. O mago, que parece admirar os feitos dos jogadores em Berlim (como o ataque contra o reverendo Von Kross e à mansão de Karl Haben) confessa que tampouco confia em Friedlander. Seu supervisor na Tecnocracia, um homem chamado Donald Richardson, é mundialmente conhecido entre os magos por ser implacável, ferozmente leal à União, e muito perigoso. Se Friedlander abandonou a União há uma semana (como afirma ter feito), então seus relatórios diários enviados para Richardson fatalmente incluiram informação vital sobre os jogadores e a situação em Berlim.

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O centro do caern de Grünewald

Em Grünewald, os jogadores fazem incursões diferentes. Liam é o primeiro a entrar, é vigiado de longe pelo Caça-Ratos como de costume, e logo encontra Selim Olhos-Velhos. O venerável peregrino silencioso o mira com consternação, pois Liam foi marcado em sua alma com um dom mortal dos Crias de Fenris alemães que o denuncia como inimigo de todo o grupo. Apenas quem pode retirar o dom são os próprios Crias da Floresta Negra; virtualmente todos dentro do terrível grupo Bruttenmacht. Liam leva Tyrderon até um regato de água, onde o ente feérico recupera aos poucos suas energias. Béla propõe um plano para libertar o prisioneiro: será atacado por Liam para simular uma briga, enquanto este fugirá com Tyrderon. Ambos partem para Muggelheim, onde Tyrderon permanece se recuperando. O felino informa que viu o corpo de Simeon no subsolo da casa de um vampiro antigo chamado Julius Évola. O vampiro esteve dormindo durante centenas de anos e voltou a acordar há poucos anos; apesar de poderosissimo, é ingênuo e curioso sobre todas as outras formas sobrenaturais. Também é um grande amante de música, especialmente da “novidade” da música clássica. Tyrderon visitou algumas vezes sua grande mansão, atraído pela energia de Simeon; o vampiro, cada vez mais interessado nele, chegou a pedir um pouco de seu sangue.

Béla segue para encontrar Sofia, que está no centro do caern. O Caça-Ratos diz que ele é esperado e o escolta por uma trilha sinuosa até um conjunto de pedras grandes que sombreia um pequeno olho d’água cristalina. Frau Ana, a líder de Grünewald, recebe o maestro. Sofia dorme tranqüilamente sob as pedras. A garou-mestra foi informada da maldição que recaiu sobre Liam, e não aprecia a onda de violência que vem varrendo Berlim. Sua missão em Grünewald é pacificar os garous e manter o parque como um território neutro, com os Crias mantendo o enorme e poderoso caern da Floresta Negra. Até agora a Resistência tem sido extremamente violenta e chamado a atenção dos nazistas, o que pode colocar o caern em perigo. Ana é simpática aos jogadores, porém, e concorda em deixar a grande guerreira Sofia sair com Béla.

Na volta ao Consulado, Stultz está enfurnado em seu quarto meditando e ocupado com operações militares. A Brigada está reunida, e os soldados estão radiantes com a grande “Açougueira da Criméia” de volta.

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Capítulo VII: Blitzkrieg em Muggelheim
Berlim, 14/02/1933

14 de fevereiro de 1933. É uma fria noite de inverno em Berlim, e Sir Thomas Friedlander liga para o Consulado da Bulgária com uma voz grave: “*Tyrderon* encontrou o corpo de Simeon, mas está sendo caçado de perto pela Tecnocracia. Precisamos resolver este problema”. O misterioso homem-gato também é caçado pela Camarilla, que pensa que ele foi o responsável pela morte do Reverendo Von Kross. O Príncipe Gustav Breidenstein está organizando uma conferência com a Sociedade de Thule para aliar toda a Camarilla de Berlim à sociedade secreta nazista, e quer “mostrar serviço” matando os dois responsáveis pela morte de sua cria: Tyrderon e o Professor Stultz. O poderoso Nosferatu Lord Humboldt e seu assistente Martin Hohenstauffen são os únicos que sabem da verdade: Nádia e seus aliados mataram Von Kross. Humboldt quer ser ele a pegar Tyrderon e promete esconder Nádia do Príncipe, se ela ajudá-lo. O Nosferatu é informado da presença de Tyrderon no bosque de Muggelheim e a emboscada é armada. Friedlander, que é caçado pela União Tecnocrática por ter libertado Tyrderon, alerta os agentes da Tecnocracia para sua presença e a de seu “filho” na beira do lago Krumme.

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Friedlander deixa um carro na estrada com equipamentos de transmissão para o grupo, e vai para o lugar combinado. Béla se posiciona do outro lado do lago com um rifle de precisão enquanto Liam (tendo Muggelheim como seu Território) e Nádia vigiam o perímetro. O ronco grave de um motor pode ser ouvido à distância: é um estranho avião negro que parece pairar sobre o ar enquanto patrulha o chão com seus holofotes. Um automóvel estaciona às margens do lago com cinco homens vestidos de casacos e chapéus. Eles falam um inglês com sotaque americano e se encaminham cautelosamente para onde estão Friedlander e Tyrderon, perscrutando o ambiente com máquinas sofisticadas.

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_Brucilli: Friedlander, você está preso por violar o código da União.

Friedlander: Agente Andrew Brucilli, eles enviaram você? Eu devo ter irritado mesmo seu sindicato fascista.

Brucilli: Onde está Tyrderon?

Friedlander: Não sei. Íamos nos encontrar aqui, mas não sei onde ele está.
_

Friedlander é algemado enquanto outro agente busca por Tyderon. Mas um combio de dois caminhões liderado por um jipe se aproxima pela estrada sul. Os caminhões não possuem marcações militares, apenas uma cabeça de lobo branca pintada com as iniciais “BM”. No jipe estão quatro oficiais da SA, que lideram uma brigada grande de soldados da mesma corporação. Os tecnocratas percebem a movimentação e se espalham pelo bosque. Ao se aproximar de Brucilli, o oficial de maior posto grita para que larguem as armas. Béla se aproveita do confronto e, usando magia para atrasar o som da arma, dispara contra Brucilli, que é ferido no pescoço. Os agentes escondidos no bosque começam imediatamente a atirar suas armas, metralhadoras hiper-modernas que disparam rajadas letais de energia. Um dos oficiais é dilacerado na hora pelos disparos, e os outros pulam no lago congelado para se esconderem. Friedlander corre para o norte. Liam, saltando velozmente entre a Umbra e seu Território, joga uma granada na direção de Brucilli. Os oficiais nazistas se erguem da neve com um urro enfurecido, seus corpos explodindo com a Fúria e tomando a violenta postura Crinos. O oficial de mais alto posto possui uma reluzente pelagem branca, indicando Raça Pura. Os garou atacam impiedosamente os tecnocratas no bosque, que não tem chance alguma contra três crinos furiosos. Béla atira no oficial à distância, e este parece desenvolver uma dura carcaça como defesa. A granada explode, ferindo mortalmente Brucilli; Liam salta das árvores com sua espada e termina o serviço. Os garou se espantam com o Bastet em sua forma de crinos, e se preparam para atacá-lo. Béla segue atirando contra os soldados, mas é percebido e recebe fogo de volta. Nádia, transformada em corvo, convoca os pássaros do bosque a atacarem os garou, distraindo-os enquando Liam foge com Friedlander.

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No sul do lago, um dos carros arranca em velocidade pela estrada com um agente dentro. Béla corre para estrada e de longe consegue acertar o painel do veículo, fazendo-o cair na vala lateral da estrada de terra. O agente e o mago Vazio passam a confrontar-se com metralhadoras e granadas enquando Nádia usa seus corvos para atrapalhar o inimigo. Liam sai da Umbra de dentro do automóvel e ataca o agente com sua espada, vendo Tyrderon desacordado como gato no banco do passageiro. No entanto, os garous nazistas se aproximam. Béla sente misticamente uma presença em seu encalço e reconfigura o Tempo para poder fugir, jogando uma granada na direção do agente enquanto corre. Liam passa a tentar tirar o carro da vala para poder fugir, levantando-o como Crinos. Um dos garous, em forma Lupina, vê Liam à distância e emite um estranho e terrível uivo que entra na alma de Liam, permanecendo lá como uma maldição ruim. Outro garou (o oficial) corre como Hispo atrás de Béla, usando toda sua Fúria para poder alcançá-lo. Béla, desesperado, mais uma vez explode os limites da realidade para dobrar o Tempo e conseguir reagir: com a metralhadora hiper-moderna do agente em mãos, ele disparam uma rajada mortal contra o Hispo, destruindo tudo em seu caminho. Liam consegue colocar o carro de volta na estrada e Friedlander foge com Tyrderon para o Consulado. Tendo se livrado da ameaça imediata, o grupo consegue despistar seus caçadores pela Umbra, voltando para Berlim.

Ao chegarem no Consulado, descobrem que Stultz voltou com o resto da Brigada Búlgara. Ele está enfurecido com o fato dos jogadores terem trazido um tecnocrata para dentro do Consulado. Uma reunião sobre os próximos passos da Resistência é marcada para o dia seguinte.

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Capítulo VI: "Where were Tyrderon cat?"
Berlim, 12/02/1933

Voltando das Terras Sombrias, o grupo está exausto e perturbado pelo que viu. Uma vez presente às docas dos mortos, a mente resiste em lembrar-se que um dia viveu, e o mortal Béla Bártok é o que mais se apercebe disto. A presença de Nichola segue acompanhando os jogadores; Liam sente Asura nesta presença. O Guardião do caern de Grünewald, Heinrich “Caça-Ratos” (Rättenjaeger) encontrou alguém bisbilhotando o perímetro: trata-se de Theodor Murka, vampiro Nosferatu aliado de Nádia. Theodor resgatou junto à Gestapo uma mensagem codificada que parecia buscar Tyrderon, o guardião de Simeon. Ele informa Nádia que Lorde Humboldt a procura, ávido por notícias do “Gato Assassino”. Theodor também descobriu que o Príncipe de Berlim fará uma reunião importante com os líderes da Sociedade de Thule no dia 27 de fevereiro e precisa ter o assassino de Von Kross até lá para ser respeitado como liderança vampírica. Não se sabe ainda onde será o importante encontro. Humboldt aguarda Nádia no Observatório de Archenhold, e ela vai acompanhada de Béla Bártok. O Nosferatu dá a Nádia 22 horas (mais ou menos) para encontrar Tyrderon. Ele ressalta que envolver humanos é quebra da Máscara, mas diz não ser inimigo de Nádia. No segundo andar do Observatório, Liam investiga uma figura humana, mas é detectado e foge.

O comunicado interceptado oferecia dois endereços: o de Sir Thomas Friedlander e o da base “Augustus”, de responsabilidade de um certo agente Andrew Brucilli. O grupo visita o “velho amigo” Friedlander e o encontra em estado depressivo, desmotivado a seguir lutando.

O velho inglês conta sua história: cresceu trabalhando e acreditando na União Tecnocrática e em seu ideal de proteger a humanidade contra as aberrações, e alcançou certo prestígio nos círculos britânicos. Contudo, ao investigar padrões mágikos antigos nos arquivos da organização, acabou descobrindo sobre a Guerra Mítica entre os Tuatha de Danaan e os Thulianos na era pré-romana. Estas duas antigas civilizações habitavam a Irlanda e a Escócia e viviam em paz até os Thulianos descobrirem um enorme e mortal poder tecnológico enquanto escavavam suas minas nas Highlands escocesas. Eles atacaram os Tuatha, que conseguiram revidar e expulsar os thulianos para dentro de suas minas, selando-os. Embora o relato fosse quase mitológico, Friedlander se desesperou ao encontrar indícios da atuação dos thulianos no mundo moderno, principalmente fornecendo tecnologia e informação a um grupo chamado Sociedade de Thule. E se desesperou ainda mais quando foi barrado dentro da Tecnocracia de investigar o grupo.

Durante uma visita não-autorizada aos porões de um Constructo tecnocrático inglês encontrou uma relíquia viva: um jovem rapaz, descendente direto dos Tuatha de Danaan, preso e escravizado pelos tecnocratas, chamado Tyrderon. Friedlander o libertou ilegalmente e jurou defendê-lo. Juntos, Friedlander e Tyrderon começaram o lento processo de identificar os membros da Sociedade de Thule, sempre trabalhando clandestinamente dentro da Tecnocracia. Eles descobriram que a Sociedade de Thule havia desenterrado um antigo e poderoso feitiço e estavam juntando os ingredientes para conclui-lo. Ao perceber que um dos ingredientes, o Golem, já estava sendo fabricado por uma cabala judaica desesperada para proteger-se dos nazistas, Friedlander enviou Tyrderon para proteger a qualquer custo o líder da cabala contra a Sociedade de Thule.

Sabendo que tanto a Tecnocracia quanto a Camarilla (inimigos naturais) buscam Tyrderon, Friedlander tem a idéia de jogar os grupos um contra o outro. Todos vão ao hospital universitário tentar buscar Neumann, mas ao infiltrar o local, Liam é atacado por um garou com uniforme marrom da SA.

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Capítulo V: As Terras Sombrias
Baixa Umbra, 11/02/1933

Voltando do ataque à casa de Karl Haben (onde Hans Schmitt morreu), o grupo de jogadores se abriga inicialmente no Consulado da Bulgária.

De lá, Béla Bártok envia uma carta de volta a Maxwell Ldescu contando da situação em Berlim, da morte de Simeon e da Sociedade de Thule. Em seguida, os jogadores vão ao caern de Grünewald buscar orientação sobre a morte de Schmitt, que era procurado pelo garou Selim “Olhos-Velhos”. Selim diz que Schmitt era procurado por toda sua tribo (os Peregrinos Silenciosos) por ter violado um lugar sagrado da tribo e roubado um antigo pergaminho, o Pergaminho de al-Amin. Selim diz que os Peregrinos no momento são a tribo mais preocupada com o crescimento do nazismo, pois estão observando de primeira mão como os mortos inquietos assassinados nas fronteiras se acumulam nos portões das Terras Baixas. Cumprindo a promessa que fez aos jogadores de acompanhar-los aos portões da Necrópole para buscar o espírito de Simeon e/ou Schmitt, Selim dá início ao ritual de ferir a mortalha e entrar nas Terras Baixas.

Ao atravessarem, se encontram com um espírito que há dias acompanha Selim: o Doutor Nichola, pego no ataque à Universidade e sacrificado ritualmente por um ser poderoso e desconhecido. Nichola tem vagado sem rumo pelas Terras Baixas, sem saber quem o enviou para lá e com qual motivo; a situação é proposital, dado que o doutor era um vampiro e não deveria se transformar naturalmente em um espírito inquieto.

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Nas Terras Baixas, um desfiladeiro de terra seca dá visão a um enorme rio de águas escuras, cujas margens apinhadas de almas penadas servem de docas para a travessia rumo à Necrópole do outro lado. O serviço de travessia é oferecido por uns poucos barqueiros, e há muito mais almas chegando do que atravessando o rio; o clima é de caos e desorganização, e a sensação é de que se as almas continuarem chegando nesse ritmo, não haverá mais lugar nas margens e as massas serão empurradas rio adentro. Em alguns trechos das margens existem filas gigantescas para conseguir pegar a barca, e em outros há completa confusão e os mortos se digladiam pelo direito de atravessar o rio. Tentando em vão organizar a massa ensandencida existem soldados a cavalo (os Legionários) e alguns mais poderosos montados sobre criaturas aladas (os Ceifadores). Os jogadores descem o barranco para a margem e se infiltram na multidão, sendo claramente percebidos como “vivos” e não pertencentes àquele lugar. Imediatamente um grupo de soldados se organiza para expulsá-los, e um Ceifador voando sobre um dragonete ataca: não é ninguém menos do que Hans Schmitt, desfigurado de ódio e buscando vingança contra Liam, seu assassino. Nádia, em forma invisível, avista Simeon entrando na barca para a Necrópole e tenta se comunicar com ele. Com a boca costurada e vigiado de perto pelo poderoso Barqueiro, o velho rabino suicida consegue rabiscar o nome do bairro onde está localizado o Golem: Mitte, no centro de Berlim. Nichola tenta interceptar a barca com seu poder de Salto mas erra o alvo e cai dentro do Rio da Tormenta. Os jogadores se organizam para salvá-lo: Béla distrai os Legionários e Liam domina o dragonete para resgatar voando o pobre espírito do Doutor. De posse de alguma informação e com um novo velho aliado das tumbas, os jogadores fogem das Terras Sombrias.

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