Noite das Facas Longas

Capítulo XIII: Der Golem

Berlim, 26 de fevereiro, 1933.

Em posse das linhas de Thule e de Vril, a Resistência pode encontrar o ponto de cruzamento que sinaliza o fluxo de energia necessário para a construção do Golem. A operação, dirigida pelo grupo de Bártok, Liam e Nádia, tem um problema evidente: o local do Golem está a uma quadra do quartel-general da Brigada 6761. Coincidência ou uma estratégia deliberada do rabino Simeon, o fato é que a proximidade torna o local, um conjunto de quadras no bairro central de Mitte, altamente patrulhado. A casa de dois andares parece abandonada com suas janelas pregadas com tábuas, mas uma investigação de Nádia revela que o porão guarda o misterioso gigante de pedra.

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Béla sugere que a Brigada seja avisada da localização do Golem, movimentando-se assim para destruir assim o poderoso Zelote que o guarda e permitindo a fuga do Golem pelos esgotos. O ataque deve ocorrer um dia antes da reunião no Pólo Central, no 26 de fevereiro. Stultz, o general, delega o planejamento e a liderança para o grupo do maestro, enquanto Dimitrov e sua Brigada Búlgara se ausentam para investigar a reunião do dia 27. Friedlander se posiciona por perto com um carro e equipamentos para entrar no canal de comunicação da Brigada. Stultz, Liam e a Garou Sofia entram pelos esgotos por um canal e conseguem chegar à parede que os separam do porão, onde instalam um explosivo. Nádia circula como morcego observando. O maestro sobe a torre de uma igreja na esquina com seu rifle de precisão e se prepara para observar e dar o primeiro tiro. A noite está clara e a região é bem iluminada pelos postes.

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O aviso é dado na rádio da Brigada, e em minutos um desfile militar altamente organizado é deflagrado em frente à casa do Golem. Caminhões trazem soldados da Brigada e de outros quartéis de Berlim, cercando completamente todas as vias de acesso para a casa. Um jipe traz um grupo de oficiais da SS comandado pelo Major Karl Haben, líder da sinistra 6761, comandante da operação de busca e captura de “desvios” em Berlim e homem forte da Sociedade de Thule. Haben desce aos gritos com suas tropas, e soldados explodem o portão de ferro do porão. Um caminhão altamente blindado, pintado de preto e com o símbolo da 6761, estaciona na frente da casa. Dele desce o mago Maxwell Ldescu (que havia ajudado os jogadores com a pista de Vril), as mãos presas em algemas, escoltado para Haben. Eles trocam frases, e Ldescu desce as escadas para o porão. Do túnel de esgoto, Liam ouve gritos, explosões e sinais claros de luta intensa.

O Zelote havia se preparado para este momento durante toda a sua vida, embora não soubesse. Desde seu nascimento em uma vila miserável da Palestina e sua adoção por rabinos ortodoxos, ficara trancado por anos nos porões de uma sinagoga, impedido de ver a luz do sol. Seus rigorosos mestres se alternavam em diversos treinamentos: artes marciais de todo o tipo, resistência, leitura da Torá, meditação, e mais tarde em sua vida, mágika cabalística. Sem nome ou afeto, a criatura cresceu em permanente diálogo com Deus, uma mistura de esquizofrenia e disciplina militar cuidadosamente fabricada pelos rabinos. Seu rosto duro e sem pêlos tinha a mesma expressão, sempre, e sua pele branca parecia alienígena. Enviado em um vagão fechado para Berlim aos cuidados de Simeon, o Zelote sentiu que sua missão se concluiria em breve. Cuidaria do sono do Golem, ou morreria para ativá-lo, segundo a lenda de Massada.

Bártok observa pela lente do rifle o Major Haben. O comandante era um alvo importante, responsável pela caçada implacável contra magos em Berlim, e sua morte seria um golpe contra a Sociedade de Thule. O maestro decide disparar, e a cabeça do outrora poderoso Haben explode como uma abóbora na frente de seus soldados. O tiro foi certeiro, e os soldados se abrigam caoticamente, buscando o atirador em volta. Do mesmo caminhão-forte que saiu Ldescu, um grupo de soldados fortemente blindados desce rapidamente.

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Ldescu talvez teria alguma chance contra o Zelote em sua época como poderoso Mago da Ordem de Hermes, mas isso foi há mais de 300 anos. Transformado em vampiro pelo Clã Tremere, o romeno escondeu sua identidade da Ordem durante os anos, evitando reuniões e conclaves, com o objetivo de espionar os magos para seus mestres. Sua missão em Berlim (encontrar o Golem), ganhou um aliado inesperado da Resistência, mas esbarrou na poderosa Brigada 6761. Haben o capturara para que ele matasse o Zelote, mas agora estava claro que sua Taumaturgia não era páreo para a mistura de luta e mágika do guardião. Após poucos minutos de luta, o Tremere foi trespassado pela romfaia do Zelote, partindo seu tronco ao meio.

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Seu comandante parece assumir o posto de Haben, orientando soldados a tomarem posições de abrigo. Este novo grupo usa uma armadura de aço, rostos cobertos por máscaras de gás e armas super-tecnológicas, ainda mais estranhas do que as vistas nas mãos dos agentes tecnocráticos. Bártok atira novamente na cabeça do comandante, mas sua bala resvala no aço do capacete. Após um terceiro tiro, é identificado pelos soldados na torre de igreja, e a Brigada investe furiosamente contra o maestro. Os novos soldados de elite disparam com precisão assustadora, acuando e finalmente ferindo com gravidade o sniper da Resistência. Enquanto soldados regulares correm para assaltá-lo na torre, os super-soldados voltam sua atenção para o Golem. De dentro do caminhão-forte, um deles traz uma grossa mangueira de alumínio similar à de um bombeiro, e o grupo desce as escadas para o porão.

Bártok está seriamente ferido. Suas granadas atrasam os soldados e obstruem a entrada da torre, mas sua posição está cercada. Nádia desce como um corvo para ajudá-lo e aplica-lhe os primeiros socorros. Friedlander se desloca de carro, disparando precariamente, para atrair a atenção dos soldados. O maestro usa o restante de suas energias para atirar um arpão para o prédio ao lado e fugir da torre.

No porão, o grupo de Liam, Stultz e Sofia entram em ação contra o Zelote. Vendo-se cercado e em minoria, o guardião imediatamente aciona seus últimos efeitos de defesa: Tempo para torná-lo mais rápido e Correspondência para multilocalizar-se em diferentes Zelotes pela sala. A luta segue furiosissima. Stultz usa seus poderosos efeitos vulgares de Forças para atingir o Zelote, mas com a rapidez deste, tudo o que consegue é acumular Paradoxo. A réplica que o enfrenta usa um efeito de vento e o atira para o outro lado da sala: Stultz cai desacordado, fora da luta. Liam tem sucesso melhor contra sua réplica, mas Sofia tem sua luta interrompida pela entrada súbita dos super-soldados de elite na sala. A mangueira de alumínio que trazem disparam um fluxo intenso de plasma destrutivo que queima tudo o que toca. Em segundos o salão, outrora ricamente decorado com livros, artefatos mágicos e armas medievais, está em chamas, e a fumaça torna a luta quase impossível. Sofia é ferida seriamente na perna pelo plasma e passa a se defender desesperadamente do Zelote. Liam resgata Stultz, levando-o de volta para o túnel.

O último e verdadeiro Zelote é morto em meio às chamas, e o Golem acorda para seu destino. Seu rosto se acende e se inscreve a letra hebraica do alif. Um momento de silêncio terrível se segue, em expectativa ao que acontecerá. Do fundo do salão, uma voz começa a repetir lentamente em hebraico as palavras sagradas que comandam o Golem: é Maxwell Ldescu, apenas com a parte posterior do corpo, usando o pouco de não-vida que lhe resta para trazer o Golem sob seu comando. Seu pensamento moribundo só consegue pensar em vingança contra seus captores. O Golem se ajoelha em frente a Maxwell, esperando seu comando. O Tremere sussura para o monstro: “Destrua todos esses nazistas”.

O porão explode em fúria e destruição. O Golem se levanta furioso e investe contra os super-soldados de elite, ferindo-se com o plasma mas destruindo dois com um só golpe. O telhado do lugar começa a ruir com a ataque, e Liam foge com Stultz pelos canos, levando uma klaive encontrada no chão consigo.

Do quartel-general da Brigada, Béla vê um tanque monstruoso lentamente sair do hangar. Tão alto quanto uma casa e tão grande que fechava toda a rua, o tanque começa a se deslocar para o local da briga. O maestro agora está sobre os muros do prédio em frente, derrubando soldados como patos na rua, a Brigada totalmente focada no Golem. Nádia assume a forme de névoa e se infiltra pelos tubos de respiro do tanque. O Golem leva disparos de todos os lados, mas a mangueira de plasma parece atingi-lo em especial. Pedaços de seu corpo se espalham pela rua. Bártok apela à Entropia do clima para ocasionar um intenso nevoeiro no local da luta, e a Resistência passa a atacar os soldados confusos no meio da névoa no intento de salvar o Golem.

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Enquanto isso, Nádia causa terror dentro do tanque que se aproxima. Entre os corredores apertados do monstro, ela ataca com garras os soldados e chega a matar o motorista, parando a máquina. O canhoneiro, no entanto, consegue disparar o enorme cano contra o Golem. A explosão atinge-o em cheio, despedaçando-o em centenas de pedras pelas ruas. Um sibilo agudo é ouvido, e trobões retumbam por Berlim. O Golem foi destruído, o Olho de Massada foi aberto. A Resistência foge desesperada para Grünewald, e o maestro está seriamente ferido. Há algo de estranho no ar, uma agressão generalizada que parece despertar Berlim inteira nesta madrugada fria.

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