Noite das Facas Longas

Capítulo XII: Brüttenmacht

21 de Fevereiro de 1933 – Lua Minguante

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A vitrola foi interrompida pelo jovem soldado da SA como se interrompe uma bomba relógio prestes a explodir. O hino nacional-socialista e outros chauvinismos musicais embalaram a bebedeira durante o final da tarde e as primeiras horas da noite; o silêncio que seguiu atribuiram-no à chegada dos forasteiros. Boa notícia ou má notícia: o forasteiro pode ser um vampiro suicida ou um curioso ousado, no que deveríamos destroçá-lo (boa notícia), o forasteiro pode não ser o que parece, no que deveríamos entendê-lo (má notícia). O álcool nas jovens cabeças seria um péssimo instrumento para entender, mas facilitava muito a tarefa de destroçar. A mera hipótese eriçava os pêlos nas nucas dos Ahrouns, eram 9 da noite e a lua faiscava aqueles dias de inverno no Volkspark. Entre as árvores, a forma nicterídea da Gangrel Nádia circulava em vigilância.

A visão de Liam confundia os presentes. Estava claramente marcado pelo clã, mas como diabos havia simplesmente aparecido ali na porta? Entre a maioria de jovens, um capitão, o único que entendeu logo o que aquele encontro significava. Afinal, conhecia de perto aquelas duas figuras. O pirralho, o vira em Grünewald, e sabia que tinha chamado a atenção de Otto. Aqueles que estiveram em Muggelheim diziam que pertencia ao povo-gato, e mantinham por ele um misto de curiosidade, temor e vontade de arrancar-lhe as tripas. O outro, o velhote, era um caso mais grave. Quando a tropa voltou de Muggelheim e viu em que estado estava o poderoso Rainer, o Caçador da Raça, após o combate, juraram caçar e matar o responsável por aquilo. Rainer tinha um rasgo do ombro às coxas que fora claramente feito por magia. A maioria dos Bruttenmacht, nascidos como lobos nas entranhas da Floresta Negra, conhecia os gandwere através de contos horríveis passados por gerações de Galliards. Os contos falavam de batalhas épicas entre magos de Odin e os filhos de Fenris, e o aparecimento de um gandwere na cidade era visto como sinal certo de que o Ragnarok estava próximo. Exatamente como Otto previu.

Nas árvores, Nádia percebe uma figura observando a cena. O espião percebe-se vigiado e desce para fugir. Na base da BM, o capitão deixa Liam entrar, como fora acordado pelo líder. O gandwere, pensou, deveria ser escoltado para longe, e em seguida destroçado pelos mais jovens como prova de subida de posto. Os lobos seguiam Béla Bártok de longe quando um conjunto marcado de uivos assinala a todos a presença de um intruso no parque. Os lobos correm a perseguir o espião visto por Nádia, enquanto Béla corre para o outro lado do parque.

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Liam entra na base da BM. As paredes de pedra reforçada ostentam símbolos nazistas, fotos de companheiros caídos em batalha e armas, muitas armas. Um dos cantos do aposento é um arsenal improvisado com bazucas e granadas. Uma metralhadora gigante, própria para um Crinos, é vista em repouso ameaçador. A BM certamente possui enorme poder de fogo. O clima de violência é estranhamente interrompido com um pedido de abraço de Otto Panzerfaust, líder dos Crias de Fenris, para o jovem Bastet que estava ali na sua frente. Otto pede a todos os que são postos 1 e 2 que saiam da sala, e que os postos 3 investiguem o invasor. Na sala restam apenas ele, Liam e um homem primitivo, de cabelos e barbas longas, o único da BM a não usar um uniforme da SA. Otto apresenta-o como Udin, o Theurge do grupo.

“O que você acha que devemos fazer em relação ao Homem, Liam?”

O jovem Ceilican pondera por um instante e responde: “Conviver com ele.”

“Exato, meu caro. Só há duas alternativas em relação ao Homem: destruí-lo ou administrá-lo. Nós tentamos destruí-lo, e isso foi um erro. Nós certamente jamais nos subteremos a ele, como Campeões de Gaia que somos. A Wyrm se apodera deles com extrema facilidade, e deixá-los no poder abrirá todo tipo de influência sinistra sobre o planeta. Diga-me, você nasceu como um animal ou como um homem, Liam?”

O escocês, naturalmente avesso a dar informações, replica: “Por que não me diz primeiro?”

“Ah sim. Eu nasci como homem.”

“Pois eu nasci nas matas.”

“Que é o nosso verdadeiro lugar! Que o homem permaneça em suas cidades e que suas cidades sejam as mais verdes possíveis, mas que as matas sejam para sempre nossas! É somente isso o que pedimos, Liam. O último século foi desastroso para os lobos da Alemanha, e os nacional-socialistas desde cedo ofereceram a possibilidade de defender nossos lobos. Neste exato momento há leis tramitando que punem a morte de um lobo como se fosse a morte de um homem, você sabia disso, Liam? O Reino do Lobo, o Wolfsreich, está se iniciando na Alemanha! Será uma revolução, a mais importante delas, e está apenas começando! Estamos reunindo forças para derrubar Hitler, Liam. Trata-se de um político habilidoso e um oportunista, mas o momento de retirá-lo de cena está chegando. Temos um parente dos Crias, Ernst Röhm, ele liderará o movimento dos homens enquanto nós atacamos no coração do monstro. Estamos tirando esses jovens da miséria e integrando eles na SA ao lado de parentes Crias, eles crescem respeitando o Lobo, as matas e o legado de Gaia! Na Floresta Negra temos hoje o maior caern da Europa, e nossa população por lá não pára de crescer. Imagine a Europa toda transformada em um grande caern!”

“Udin aqui previu sua chegada, Liam. Disse-me que um felino faria a ponte entre os filhos do Leão e seu lar na Alemanha, Grünewald. Assim, lhe entrego esta tarefa. Você deve levar isto para Frau Anna, no caern de Grünewald.”

Liam abre a caixinha. Dentro dela, um pêlo da juba do Leão, o totem de Grünewald. Otto leva Liam aos fundos, onde o felino pode demarcar de fato a existência de um Portal de Thule sob o parque. A Resistência finalmente é capaz de encontrar o Golem.

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