Noite das Facas Longas

Capítulo X: Um lar em Grünewald?

Berlim, 18/02/1933

Ao voltarem da Mansão Évola, Liam, Béla e Nádia encontram o Consulado da Bulgária cercado por carros estranhos cheios de homens com chapéu. Observando cuidadosamente, eles conseguem ver antenas e aparatos dentro dos carros, bastante similar aos carros da Tecnocracia que eles viram em Muggelheim. Enquanto Béla o cobre com um rifle de longo alcance, Liam infiltra o Consulado e alerta seus habitantes: Stultz, a Brigada Búlgara e o prisioneiro Friedlander. Está na hora de abandonar a base, e todos pegam o que podem para fugir pela porta dos fundos.

O grupo chega a um hotel para discutir os próximos passos da Resistência. Stultz está satisfeito com a missão na Mansão Évola, mas sua prioridade ainda é o encontro da Sociedade de Thule no dia 27/02. O grupo trouxe uma pista importante para isso: os documentos e a fala de Évola que indicam que o encontro será em um tal Portal Central, presumivelmente uma base para a Sociedade em Berlim. Tal Portal se encontra sobre a Trilha de Thule, uma das diversas linhas míticas que atravessam o planeta como canais mágikos. Berlim é atravessada por duas destas linhas: a de Thule, que segundo Stultz passaria “perto da Universidade”, e a de Trilha de Vril, mais obscura e desconhecida. Simeon mencionou “Vril” antes de morrer, assim como Thule e Mitte, o bairro onde está o Golem. Stultz presume que o Golem, criatura que exige enorme esforço mágiko para se constituir, esteja no cruzamento entre a Trilha de Thule e a Trilha de Vril, no bairro de Mitte. Encontrar os marcos destas trilhas é essencial para a Resistência. Um dos marcos de Thule está assegurado: trata-se da própria casa de Julius Évola, às margens do rio Spree. Seus documentos mencionam outros lugares sobre a trilha: uma fábrica, o Portal Central, o Volkspark. Encontrando o lugar exato do Portal de Thule nestes lugares, será possível traçar uma linha entre a casa de Évola e este lugar, descobrindo a Trilha de Thule.

No entanto, existe outra urgência: encontrar uma nova base para a Resistência. O último lugar seguro de Berlim nestas circunstâncias permanece sendo o caern de Grünewald, no bosque a oeste de Berlim. Stultz, apesar de ser uma figura polêmica entre os garou, tem boa relação com Frau Ana, a matriarca do caern. Sofia também possui uma óbvia vantagem, por ser Garou. No entanto, a Resistência cresceu e o caern já se encontra lotado com refugiados de Berlim, a maioria Parentes garou. E os donos do caern jamais admitiriam um prisioneiro humano (Friedlander) abrigado no solo sagrado. O grupo se divide: Stultz, Sofia e os jogadores irão para o Parque, enquanto o resto da Brigada Búlgara (Dimitrov e seus 4 soldados) ficará com Friedlander no hotel.

Enquanto isso, o garou Jean-Luc, da tribo dos Andarilhos do Asfalto, segue para Grünewald para se apresentar oficialmente ao caern da cidade, como é de praxe para os recém-chegados. Vindo da França, Jean-Luc é recebido por Selim Olhos Velhos na entrada do Parque. Selim explica a ele a situação em Berlim e afirma que o caern agora está em Conclave.

Os jogadores chegam a Grünewald. No centro do caern há uma tensa reunião entre os garous. Um dos membros mais velhos, o poderoso Cria de Fenris Anton Nordeskald, acusa Grünewald de permanecer inerte enquanto grupos como a Sociedade de Thule despertam forças terríveis pela cidade. Outros garou, incluindo Heinrich Caça-Ratos, defendem a manutenção da neutralidade do caern. A Matriarca Anna lembra a todos que o propósito atual de Grünewald é exatamente ser um refúgio em meio à tempestade:

“Após a Primeira Guerra, os Crias de Fenris, senhores incontestes dos caerns alemães, se viram mergulhados em uma tensa guerra civil. Sua origem estava nos últimos meses antes do armistício, quando diversos Crias alemães foram caçados e mortos por uma matilha misteriosa de lobisomens vindos da Rússia. Após a paz em 1918, Anton Nordeskald, o maior dos descendentes dos garou variagues (vikings russos), apareceu perante um Conclave em Grünewald com as cabeças dos garou mortos: era ele quem liderava a matilha. Apresentou um extenso relatório dos crimes cometidos por aqueles Crias, denunciando sua traição perante Gaia. Embora hoje saibamos que o venerável Anton estava certo, os antigos anciões de Grünewald não o acreditaram e condenaram toda a matilha de Nordeskald à morte. Teve início, aqui mesmo neste centro sagrado do caern, uma batalha fratricida que durou dois dias e duas noites. Nordeskald lutou bravamente contra os anciões, muitos dos quais pertenciam às mesmas linhagens que os garou mortos pela matilha de Anton. Ao final do conflito, seis irmãos garou jaziam mortos: os quatro companheiros da matilha de Anton e dois anciões, incluindo o Patriarca do caern. Muitos outros estavam feridos, incluindo Nordeskald. Como sabemos, ao ver aquela matança, o totem do caern de Grünewald nos deixou, estando desaparecido até hoje.

A tradição dos Fenris ditava que o novo líder de Grünewald deveria ser o Ahroun Alpha do caern: o jovem guardião do caern Otto. Como auto-punição por sua Fúria, Nordeskald permaneceu durante anos na Umbra do caern, buscando o antigo totem e entrando em paz com os garou que matou. Otto reinou absoluto nos anos seguintes, atraindo os garou de toda a região com sua eloqüência e sagacidade. Na última década, se envolveu com um parente dos Crias chamado Ernst Röhm e integrou sua milícia de revolucionários. Seu mote é a unificação de todos os garou alemães sob sua liderança para colocar um Parente no poder, ganhando a influência necessária para se instaurar uma nova Era do Lobo, uma espécie de Impergium moderno.

Temendo uma nova matança, o Conclave dos Presas de Prata em 1929 condenou Otto a perder o título de líder de Grünewald por meter-se em assuntos humanos e enviou-me como matriarca para manter a neutralidade do caern se uma nova guerra civil começar. Nordeskald voltou da Umbra para me ajudar, e Otto concordou em mover sua grande matilha para o Volkspark. A paz instaurada é frágil mas precisamos…”

Anna é interrompida. Um grupo de 3 oficiais da SA surge na reunião, ostentando no uniforme a marca oficial da Brüttenmacht. Trata-se de Otto Panzerfaust e dois de seus companheiros; eles vieram em paz para checar a presença de inimigos dos garou dentro do caern. Se Grünewald estiver abrigando inimigos, o pacto de neutralidade seria quebrado e uma nova guerra começaria. Ele percebe Liam, ainda sob o efeito do uivo sinistro que o denuncia, e o novato Jean-Luc e exige uma conversa a sós com eles. Jean-Luc se recusa a ir, mas Liam segue escoltado por Anna.

Otto gostaria de conhecer aquele que era seu principal inimigo. Cumprimentam-se, e o garou expressa admiração pela maneira com que Liam luta. Ele ressalta que o nazismo é, para ele, uma enorme revolução contra a elite decadente alemã, e quer ver Hitler fora do poder em breve. Um dos Parentes dos Crias seria um homem mais honrado do que Hitler: trata-se de Ernst Röhm, líder das SA. Com ele, teria início uma nova era de liberdade para os garou, que não precisariam mais temer a humanidade infestada pela Wyrm. Otto convida Liam para o Volkspark e promete que ninguém irá machucá-lo. Ele parece interessado no Bastet, talvez para que integre sua Força Bruta?

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