Noite das Facas Longas

Capítulo IX: O Vampiro de Treptow

Berlim, 17/02/1936

17 de Fevereiro de 1933. Volta a nevar em Berlim. O grupo segue para Muggelheim para encontrar Tyrderon, que tem a pista mais forte sobre onde está o corpo de Simeon e a chave para encontrar o Golem. No bosque, ele conversa tranqüilamente em uma língua bizarra com uma estranha figura: um velho barqueiro vestido com trapos e um chapéu longo que lhe cobre a cara. Aparentemente um espírito antigo do bosque, ele está sobre um grande barco de pesca no rio Spree e oferece levar o grupo até a mansão de Julius Évola, vampiro ancião que está com o corpo de Simeon. Tyrderon, que sentiu a presença de Simeon na casa, fez contato com o vampiro, que se mostrou fascinado com a criatura. Segundo Tyrderon, Julius dormiu durante algumas centenas de anos sob a mansão e voltou a despertar recentemente, extasiado com as mudanças tecnológicas e culturais do mundo moderno. Ao comentar sobre seu amigo maestro, Évola se mostra bastante interessado em chamá-lo para uma de suas festas em sua mansão.

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Évola vive em uma velha mansão às margens do rio Spree. A casa de pedra é cercada por um extenso gramado e possui uma torre alta. Ao chegar, a Resistência percebe que as janelas estão iluminadas, há carros estacionados e pessoas parecem freqüentar a casa.

Do lado de fora, o Gangrel Mathias vigia a casa de Évola. Ex-militar, ele segue o conselho de seu antigo general Hammerstein e decide investigar a ligação sombria entre a Camarilla de Berlim e os nazistas. Sua missão é descobrir o clã de Évola. Após observar a aproximação do barco levando os outros jogadores, ele se apresenta na entrada da mansão e mostra um documento dizendo que está sob ordens do Justicar. Julius o recebe com completo desprezo e o faz esperar na ante-sala, guardada por 4 soldados da Brigada 6761 da SS.

Os outros jogadores se apresentam em seguida: o maestro Béla Bártok, que é recebido com enorme entusiasmo pelo anfitrião, sua parceira Nádia e um felpudo gato em seu colo (Liam em sua forma felina). Ainda na ante-sala, uma estranha pintura: Julius Évola, com roupa de época, de pé entre uma matilha de grandes lobos brancos.

Todos são levados ao salão central. A sensação causada do lado externo (a de que o lugar estaria repleto de pessoas) contradiz a realidade do lugar: há apenas dois outros convidados para a “festa” particular de Julius. O lugar é ricamente decorado e possui como destaque um grande piano de cauda, estranhamente reluzente entre as sombras bruxuleantes da sala pouco iluminada. Um forte cheiro de ópio é causado por uma jovem mulher chamada Martha, que bafora de um naguilé sobre um mar de almofadas em um dos cantos. O outro convidado chama-se Johann, e permanece impacientemente sentado sobre uma cadeira em outro canto.

Animado com a presença ilustre, Évola exalta o “amigo” Tyrderon e oferece bebidas aos jogadores. Ao chamar o mordomo, uma surpresa terrível: trata-se de Nichola, desaparecido desde o ataque à Universidade e desde então assombrado por uma força misteriosa. Vestido de mordomo, ele tem os olhos perdidos e obedece cegamente à Évola, não reconhecendo mais ninguém.

Liam parte para explorar a mansão. Atravessando os corredores como felino, ele passa pelos quartos de empregados e chega à cozinha, onde descobre um elevador secreto atrás da dispensa. Ele sobe, chegando na torre da mansão. Lá, encontra Mario Bartolini (o padre morto no ataque à Universidade), mutilado e em estado cadavérico, tubos de metal a lhe sairem do corpo, se debatendo de forma animalesca. Sobre a mesa, diversas anotações médicas. Liam decide acabar com seu sofrimento e o mata após um breve ritual, levando as anotações consigo.

No salão, Julius prepara um brinde e está ansioso para ouvir o grande Béla Bártok tocar seu piano. O instrumento ressoa uma energia sombria, como se fosse mágiko. Nádia furtivamente troca o copo do anfitrião com um contendo seu sangue. Todos brindam e Julius bebe de um gole só o copo. Béla se senta ao piano e começa a tocar sua Cantata Profana, composta em 1930. O salão é então tomado por uma energia nefasta, e as luzes se tornam ainda mais escuras, revelando longas sombras nas paredes. As sombras parecem tomar vida e revelam-se aparições fantasmagóricas de pessoas bem-vestidas, ouvindo atentamente ao piano tocar. O salão se mostra repleto de dezenas de pessoas. Béla entra em transe e vê seu Avatar na forma de um corvo sobre o piano. Ao longo de uma ponte de aço sobre o Infinito, ele vê o espírito de Simeon dependurado, tentando em vão voltar para o alto. Béla tenta salvá-lo, mas não consegue e ele cai no abismo.
Nádia aproveita a distração e, refugiada em um banheiro, se transforma em névoa com seu dom de Animalismo. Ela circula pela casa e encontra o fosso do elevador para onde Liam foi. O felino agora desce com o elevador para o subterrâneo da casa. Lá, encontra um gigantesco salão de pedra adornado com inscrições. Em uma das paredes há um enorme Olho de Massada pintado, e na outra, uma estátua em mármore branco de Otto I, o primeiro rei da Alemanha. Liam entra em uma de duas portas e chega a um corredor bem-iluminado, semelhante a um hospital. Ele se evade de um cientista que trabalhava no local e vê uma espécie de necrotério vazio, repleto de macas, instrumentos de autópsia e estranhos tubos que se ligam em aparelhos nunca vistos. Nádia o acompanha como névoa.
Julius Évola está inebriado com Béla e leva-o até seu estúdio do outro lado da casa para que conheça outro instrumento musical mágiko, um violino. Enquanto toca, o maestro é hipnotizado e mordido pelo vampiro, sentindo uma dor excruciante durante o processo; no entanto, imediatamente se esquece do que houve. Ainda meio letárgico, Béla é levado por Julius a conhecer o salão de Thule no sub-solo: o vampiro, encantado com sua presença, convida-o para a Sociedade de Thule. Évola diz que levará o assunto para o próximo encontro da Sociedade (o mesmo que Stultz quer atacar). Diz também que existem diversos salões de Thule como aquele espalhados por Berlim. São portais, por ora fechados, para o misterioso continente de Thule. Os dois voltam para o salão, onde Béla é deixado conversando com Martha.

No sub-solo, Liam e Nádia investigam a outra porta. Esta serve uma câmara grande encrustada na pedra como uma caverna, onde no centro repousa um único cadáver atravessado por tubos: o Rabino Simeon Bergman. Os dois ativam a máquina que liga o cadáver, que começa a se debater. O rabino consegue apenas murmurar quatro palavras: Golem, Mitte, Thule, Vril. Os jogadores decidem acabar com o sofrimento de Simeon cortando os cabos que o aprisionam. O espírito de Simeon finalmente descansa. O cientista da outra sala surpreende os jogadores. Ele tenta fugir e é perseguido, atacando Liam com uma seringa que o acerta apenas de raspão. É finalmente morto pelos jogadores.
No salão, Béla fuma do ópio de Martha. Seu sinistro transe regado à Entropia volta a acontecer: o maestro sente claramente a casa ser invadida por guerrilheiros comunistas. Ele luta contra os soldados, buscando refugiar-se no banheiro, mas é atravessado por balas de uma metralhadora. Acorda aos berros no salão, sozinho, as luzes ainda mais apagadas. Os criados o acompanham até a saída, dizendo que Julius foi descansar.

A Resistência sai da casa de Évola, deixando um cadáver no sub-solo e a mente do maestro bastante conturbada. Béla Bártok se encontra em um denso processo de Iluminação.

Na volta para o barco, o misterioso barqueiro diz que Tyrderon deixou correndo o local, visivelmente perturbado.

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